Movimentações Estratégicas em Minas Gerais
A corrida eleitoral em Minas Gerais está se intensificando à medida que alianças e mudanças de partidos tomam forma. O senador Rodrigo Pacheco, considerado o candidato favorito de Luiz Inácio Lula da Silva para o governo estadual, está prestes a deixar o PSD e se filiar ao PSB. Enquanto isso, o PL dá as boas-vindas ao empresário Flávio Roscoe, que se apresenta como uma nova opção para a candidatura ao governo. Essas movimentações acontecem em um momento crucial, quando se aproxima o fim da janela partidária, e os partidos buscam fortalecer suas bases para as próximas eleições.
Com a janela partidária se encerrando e a desincompatibilização prestes a acontecer, a esquerda e a direita estão correndo para organizar suas candidaturas em Minas Gerais, que ainda estão indefinidas. O senador Pacheco, atualmente no PSD, deve anunciar sua migração para o PSB entre esta quarta e quinta-feira, dependendo da disponibilidade das agendas. A decisão de Pacheco por integrar o PSB se deu após uma série de filiações de seus aliados à nova sigla nas semanas anteriores. Aparentemente, ele teria recebido propostas de outras legendas, mas optou pelo PSB por considerar que era a única opção a oferecer “a casa arrumada” sem divergências internas.
Entre os partidos considerados por Pacheco, o União Brasil, sob a articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez uma troca no comando do diretório estadual, colocando um dos aliados de Pacheco, o deputado federal Rodrigo de Castro, em uma posição de destaque. No entanto, parte dos integrantes da federação entre a União Brasil e o PP defende que o partido mantenha apoio ao atual governador, Mateus Simões, que é o candidato escolhido para suceder Romeu Zema. Com o apoio de Simões, o ex-secretário de Governo Marcelo Aro pode ser indicado como candidato ao Senado.
Outro partido que chegou a ser considerado por Pacheco foi o MDB, mas essa opção foi descartada, uma vez que a legenda já tem o ex-presidente da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, como seu pré-candidato.
A decisão de filiar-se ao PSB foi comunicada a Lula, que também confirmou que Geraldo Alckmin permanecerá como vice na chapa. Aliados de Pacheco acreditam que a nova filiação dará ao senador tempo necessário para decidir se realmente disputará o governo, com um anúncio formal esperado próximo das convenções partidárias, a partir de julho. Nas redes sociais, o senador deu indícios de que pode considerar a candidatura ao compartilhar um vídeo da pré-candidata ao Senado, Marília Campos, o que gerou especulações. Contudo, seus interlocutores minimizaram o gesto, afirmando que foi simplesmente um apoio à ex-prefeita de Contagem.
Direita Em Busca de Novas Candidaturas
Por outro lado, o PL anunciou a filiação de Flávio Roscoe, atual presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que é considerado um potencial candidato ao governo e tem sido mencionado nas anotações do senador Flávio Bolsonaro. A recepção de Roscoe no evento em Brasília contou com a presença do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, embora o deputado Nikolas Ferreira não tenha comparecido devido a problemas de saúde na família. Na ocasião, Roscoe revelou que deixará a presidência da Fiemg, mas ainda não é certo se ele disputará o governo ou se será indicado como vice em outra candidatura.
A legenda está atualmente debatendo se apresentará uma candidatura própria ou se apoiará Simões ou o senador Cleitinho Azevedo. Flávio Roscoe comentou: “Se o PL achar que devo participar dessa ou daquela missão, estarei disponível.” Ele é visto como um outsider, o que pode ajudar a ampliar o apelo do partido, atingindo o eleitorado que não está tão ligado às estruturas políticas tradicionais, ao mesmo tempo em que dialoga com o setor produtivo.
O empresário ganhou notoriedade por sua capacidade de reduzir tensões entre as diferentes alas do PL em Minas, que estão divididas sobre a melhor estratégia eleitoral. A definição sobre o papel de Roscoe nas próximas semanas deve ser decisiva, e Cleitinho Azevedo já se disse aberto à possibilidade de aliança, embora tenha afirmado que ainda não houve aproximação formal.
