Uma Celebração da Dança em Caeté
A partir do dia 8 de abril de 2026, o Grupo Contemporâneo de Dança Livre, de Belo Horizonte, irá apresentar a Mostra de Dança do Fim do Mundo na cidade vizinha de Caeté, em Minas Gerais. Com uma programação que se estenderá até o dia 18 do mesmo mês, o evento promete uma experiência rica e variada, incluindo espetáculos, performances, exibições de videodanças, oficinas e bate-papos virtuais com tradução em Libras.
O coletivo, que já se apresentou em 14 países da América Latina e Europa, traz para esta edição da mostra uma proposta presencial que acontecerá entre 8 e 11 de abril, nas instalações do Museu Regional de Caeté, na Escola Estadual José Brandão e na Praça do Mercadinho. A programação virtual, que se inicia em 12 de abril, oferecerá discussões ao vivo sobre a dança contemporânea, transmitidas pelo canal no YouTube do grupo, garantindo acessibilidade e interação com o público.
Com recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo de Minas Gerais, a Mostra de Dança do Fim do Mundo – Edição Caeté foi idealizada sob a coordenação de Duna Dias, que destaca a importância de explorar questões contemporâneas através da dança. “Quais danças, modos de presenças e sensações nos interessam agora? O que não suportamos mais? O que a possibilidade do reencontro provoca em nós?”, questionou Duna, refletindo sobre o impacto das experiências vividas durante a pandemia em sua curadoria.
Uma Edição Voltada para a Produção Local
Após a primeira edição, realizada em 2022 durante a pandemia em Belo Horizonte, o foco agora se volta para a produção mineira, buscando refletir sobre o contexto pós-isolamento. Duna Dias ressalta: “Estamos sentindo os efeitos da pandemia como sociedade e é necessário pensar sobre como isso nos afeta como artistas e como parte de uma rede social em constante transformação.”
Neste ano, a programação da Mostra de Dança do Fim do Mundo foi ampliada. Ao todo, serão exibidas nove videodanças e realizados bate-papos virtuais que discutirão a criação contemporânea em Minas Gerais. Durante os quatro dias de atividades presenciais, o público poderá assistir a três performances, dois espetáculos e participar de oficinas que abordam temas relevantes à dança e à corporeidade.
Um dos destaques da programação é o espetáculo “BOX”, que traz como protagonistas Dýãnà Alves, uma artista não-binária trans, e Samuel Carvalho, um artista gay cisgênero. Essa performance não apenas retrata a luta por direitos, mas propõe uma vivência corporal que une poesia e política, refletindo os desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIAP+.
Programação Diversificada e Inclusiva
Outro espetáculo significativo é “Corpo, Preto, Surdo: Nós Estamos Aqui!”, que, sob a direção de Carlandreia Ribeiro, explora a experiência das pessoas surdas e ouvintes negras, utilizando uma combinação de dança, performance física e língua de sinais para abordar questões de identidade e resistência.
Entre as performances selecionadas, destaca-se “Dança para Asfaltos”, de Italo Augusto, que leva a dança para espaços comuns, como terminais de ônibus, refletindo sobre a resistência e a reinvenção artística no espaço urbano. A obra “Bestiário”, da bailarina e arquiteta Cib Maia, é uma criação mutante que se adapta a diferentes contextos, explorando a interação do corpo com o ambiente e as relações sociais. Por fim, “Conta-Gotas”, dirigida por Beatriz Nobel Maia, busca uma dança em diálogo com os elementos do espaço público, ressaltando a conexão entre arte e cotidiano.
Durante a Mostra, o público terá a oportunidade de assistir a videodanças como “Boi Ancestral – Um Encontro com Nossas Raízes”, de Joel Martins, e “Central”, de Luísa Machala e Samantha Viana, além de uma série de outras obras que representam a diversidade da dança contemporânea. O evento culminará com a exibição da videodança mais votada pelo público na última sessão da programação presencial.
Sobre o Grupo Contemporâneo de Dança Livre
Fundado em 2010, o Grupo Contemporâneo de Dança Livre tem como missão investigar a dança e suas múltiplas expressões. Com uma jornada de 15 anos, o coletivo promove a formação de novos públicos e o fortalecimento de novas vozes na dança contemporânea. Através de seus projetos, o grupo atua como uma plataforma de resistência e expressão artística, realizando diversas ações de formação e acessibilidade.
Serviço
A Mostra de Dança do Fim do Mundo – Edição Caeté acontecerá de 08 a 11 de abril de 2026, com eventos presenciais em Caeté, MG, e programação virtual de 12 a 18 de abril. O acesso é gratuito e mais informações estão disponíveis no site oficial do grupo.
