Avanços na Mortalidade Infantil no Brasil
O Brasil alcançou em 2024 os menores índices de mortalidade neonatal e infantil dos últimos 34 anos, conforme dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). As estatísticas mostram que a taxa de mortalidade neonatal, que se refere aos primeiros 28 dias de vida, caiu de 25 para 7 mortes a cada mil nascimentos. Além disso, a mortalidade entre crianças de até cinco anos recuou de 63 para 14 por mil, refletindo uma tendência positiva no cenário de saúde infantil no país.
O Unicef observa que o Brasil está alinhado com a tendência global de diminuição nesses indicadores e já cumpriu as metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030. No entanto, é importante ressaltar que essa redução não acontece de maneira uniforme. Regiões como o Norte do Brasil ainda apresentam índices preocupantes, e comunidades vulneráveis, incluindo povos indígenas e quilombolas, enfrentam riscos elevados devido a barreiras no acesso a serviços de saúde.
Causas da Mortalidade Neonatal
Entre as principais causas de morte neonatal no país estão a prematuridade, anomalias congênitas e complicações durante o parto. Especialistas destacam que um acompanhamento pré-natal adequado, que deve incluir pelo menos sete consultas, é fundamental para a diminuição desses óbitos. Já no que diz respeito às crianças que sobreviveram ao primeiro mês de vida, as causas de morte são predominantemente evitáveis, como doenças infecciosas, reforçando a urgência da vacinação.
A má alimentação também é um fator que contribui para a vulnerabilidade das crianças, uma vez que a desnutrição prejudica o sistema imunológico. Nesse contexto, programas sociais como o Bolsa Família, que condicionam a vacinação em dia e a frequência escolar, e iniciativas como a Estratégia Saúde da Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar têm se mostrado cruciais para a melhora desses indicadores.
Desafios para Adolescentes
Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, a realidade é alarmante, com a violência ocupando o primeiro lugar nas causas de morte entre os meninos, representando 49% dos casos. As doenças não transmissíveis e acidentes de trânsito também figuram como causas significativas. No caso das meninas, as doenças não transmissíveis são as mais prevalentes, seguidas por doenças infecciosas, violência e suicídio.
Panorama Global da Mortalidade Infantil
No cenário global, aproximadamente 4,9 milhões de crianças não alcançaram a idade de cinco anos em 2024, sendo que 2,3 milhões dessas mortes ocorreram entre recém-nascidos. A maior parte das fatalidades se concentra na África Subsaariana e no Sul da Ásia, regiões que enfrentam dificuldades estruturais severas e, muitas vezes, conflitos. O Unicef enfatiza a necessidade de fortalecer a atenção primária à saúde, concentrar esforços em populações vulneráveis e aumentar investimentos como estratégias essenciais para a redução da mortalidade infantil em todo o mundo.
