Minas Gerais em Evidência no Cenário da inovação
Nos últimos tempos, Minas Gerais tem se consolidado como um dos principais polos de inovação do Brasil, beneficiando-se de um aumento significativo nos recursos destinados ao fomento à inovação. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) está vivendo uma fase de grande prosperidade, recebendo um repasse constitucional de 1% da receita corrente ordinária do Estado. Em 2024, a Fapemig foi responsável por impressionantes 41% de todo o investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) em solo mineiro, superando até mesmo agências federais como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O destaque para o primeiro semestre deste ano é o Seed (Desenvolvimento do Ecossistema de Startups e Empreendedorismo). Este novo formato irá descentralizar a política de aceleração para 12 mesorregiões, permitindo que ambientes de inovação tenham acesso a recursos de até R$ 100 mil por startup.
Inovações para Enfrentar Desafios Ambientais
Outra iniciativa importante é o edital Minas Pelo Clima, que visa fomentar soluções tecnológicas para os desafios ambientais enfrentados pelo estado. Este programa utiliza um modelo de subvenção econômica que não requer devolução, embora exija uma rigorosa prestação de contas por parte dos beneficiados.
Leia também: Podcast ‘Toró de Ciência’: Inovação e Debate sobre Inteligência Artificial na Amazônia
Leia também: Inovação e Soberania em Saúde: Destaques do Ministro Alexandre Padilha no Fifarma Annual Summit 2026
Fonte: belembelem.com.br
Minas Gerais se destaca também nos editais federais, sendo um dos estados mais capacitados para atender às exigências. O estado abriga o maior número de universidades federais do Brasil, totalizando 11 instituições, além de contar com 14 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e dois centros de competência da Embrapii, consolidando-se como o segundo estado brasileiro com mais unidades Embrapii. Além disso, possui duas universidades estaduais, a Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg) e a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), além de diversas instituições de pesquisa privadas.
Oportunidades e Desafios para as Empresas
Janayna Bhering, diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, alerta que as empresas devem estar atentas aos prazos e exigências dos editais. “Como estamos em um ano eleitoral, elas precisam agir rapidamente. Quem chega primeiro, bebe a água limpa. No momento, os principais editais em aberto são os federais. O governo deve incentivar as etapas que envolvem maiores riscos tecnológicos nos projetos, para que as empresas se sintam mais confortáveis em assumir esses riscos. Essa é uma oportunidade de se tornarem mais competitivas, atuando na vanguarda do conhecimento”, destaca Bhering.
O Órbi ICT, que promove pesquisa aplicada, formação de talentos e desenvolvimento de soluções para impulsionar a inovação a partir de Belo Horizonte, foi fundado em 2017 por Inter, MRV&Co e Localiza&Co. O espaço evoluiu para integrar três frentes estratégicas: Educação, Fomento à Inovação e Território & Impacto, funcionando como um laboratório urbano vivo que conecta diferentes atores para transformar desafios em oportunidades.
Apoio às Empresas Menores e Conversão de Potencial
Leia também: Ministro Alexandre Padilha Enfatiza Inovação e Soberania em Saúde no Brasil em Evento Internacional
Fonte: amapainforma.com.br
Leia também: Londrina e Caixa Econômica Firmam Parceria para Inovação e Inteligência Artificial
Fonte: londrinagora.com.br
Uma das missões das Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) é apoiar empresas menores na elaboração de projetos que atendam às exigências dos editais, tanto em conteúdo quanto em formato. Uma das dificuldades enfrentadas por essas empresas é a baixa maturidade em relação às oportunidades de fomento disponíveis.
“Muitas delas não têm conhecimento sobre essas oportunidades ou acreditam que não são para elas. Existe uma carência de informação e de domínio da linguagem técnica necessária para a elaboração das propostas. Além disso, muitos editais exigem que as empresas tenham profissionais com mestrado ou doutorado, o que pode ser um entrave, pois muitas nem sequer têm um sócio cadastrado na plataforma Lattes”, explica Bhering.
Para converter todo esse potencial em resultados práticos, o governo de Minas criou iniciativas inovadoras como o Compete Minas e o Come to Minas, focadas em atrair centros de Pesquisa e Desenvolvimento de empresas externas para o estado, assegurando emprego para a mão de obra qualificada formada pelas instituições locais. O objetivo é que a qualificação da mão de obra se torne um diferencial competitivo capaz de atrair novos investimentos, especialmente em um cenário onde a reforma tributária pode tornar os incentivos fiscais mais escassos e menos efetivos.
Educação como Pilar da Inovação
“A forma como trabalho hoje é completamente diferente de 20 anos atrás. Cada indivíduo deve entender suas próprias habilidades, e as empresas precisam compreender suas demandas. A inovação aberta é um caminho valioso para o desenvolvimento de competências. O governo tem estruturado mecanismos que promovem isso por meio dos editais. A Finep, por exemplo, exige a parceria com uma ICT. Hoje, as empresas devem ter planos de curto e curtíssimo prazo, pois os ciclos tecnológicos estão se encurtando cada vez mais”, ressalta a diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT.
parcerias para o Futuro
Com o intuito de solidificar Belo Horizonte e Minas Gerais como um centro de tecnologia e inovação, foi estabelecido, em abril, um acordo de cooperação técnica entre a Fundação Dom Cabral e o Órbi ICT. Sabrina Oliveira, diretora de Educação do Órbi ICT, explica que a proposta se destaca pela combinação de ativos complementares. Por um lado, a excelência acadêmica e capacidade de formar lideranças da FDC; por outro, a vocação do Órbi ICT como um ambiente de inovação aberta que integra startups, grandes empresas, investidores e pesquisadores.
“A educação é fundamental para qualquer transformação sustentável em um território ou país. A tecnologia, incluindo a IA generativa e outras inovações, deixou de ser um diferencial, tornando-se uma linguagem essencial. Ampliar e coconstruir metodologias a partir de demandas sociais e de trabalho, com foco na formação de pensadores críticos e analíticos, é fundamental para decisões complexas que gerem valor e impacto real”, finaliza Sabrina Oliveira.
