A Estratégia de Lula para Minas Gerais e o Sudeste
Nos últimos dias, Lula tem intensificado suas movimentações políticas em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, além de buscar alianças no Sul e no Nordeste. O presidente está determinado a formar acordos em redutos essenciais para a disputa nacional, visando enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), considerado o adversário com maior potencial de votos segundo as pesquisas recentes.
Em sua viagem à Ásia, Lula convidou três ministros que desempenham papéis estratégicos em sua estratégia eleitoral em São Paulo: Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente) e Márcio França (Empreendedorismo e Pequenas Empresas). Durante os voos, espera-se que Lula tenha conversas individuais com cada um deles, alinhando suas agendas políticas.
O presidente deve se reunir novamente com o senador Rodrigo Pacheco na próxima semana, após seu retorno ao Brasil. Aliados do senador em Minas afirmam que ainda não há uma decisão formal sobre sua candidatura, descrevendo o cenário político como “em construção”. O MDB atualmente mantém o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, como pré-candidato ao governo, enquanto Zema aposta na candidatura do vice Mateus Simões (PSD).
Conforme noticiado pelo colunista Lauro Jardim, Lula tem tratado a eleição de Minas como se Pacheco já tivesse dado uma sinalização positiva para sua candidatura. Contudo, o senador não se pronunciou sobre o assunto.
Enquanto isso, aliados de Pacheco discutem sua possível filiação ao MDB, um movimento que depende de acertos políticos planejados para as próximas semanas. O União Brasil foi considerado como uma alternativa, mas perdeu força devido a entraves na federação com o PP e resistências internas.
No cenário do MDB, as conversas com Pacheco visam que o senador traga seu grupo político para o partido, embora sem necessariamente vincular essa movimentação a uma candidatura ao governo de Minas. Pacheco tem se reunido com aliados e dirigentes partidários para discutir essa possibilidade, e novas reuniões estão programadas para Brasília nas próximas semanas.
O Cenário Eleitoral em Minas e Rivalidades
Se Pacheco decidir se candidatar, um desafio pode surgir com Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, que também pode dividir o eleitorado. Kalil, que não demonstra intenção de recuar, declarou: “Sou candidato pelo PDT ao governo de Minas. O PT que se resolva.”
Em São Paulo, Lula conta também com a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), que está propensa a disputar uma vaga no Senado. Tebet já acertou com Lula a mudança de seu domicílio eleitoral, com prazo até 4 de abril para transferir seu título do Mato Grosso do Sul, seu estado de origem. A ministra deve deixar o MDB, já que o partido se posiciona na oposição ao presidente no estado, sendo cogitada a migração para o PSB.
O ministro Haddad, apesar de apresentar algumas resistências em candidatar-se, é visto pelo PT como a principal aposta para enfrentar Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A pressão para a candidatura de Haddad tem aumentado, com aliados afirmando que ele precisa participar ativamente para fortalecer o palanque de Lula em São Paulo.
Se Haddad optar pela disputa ao governo, as opções para o Senado incluem Tebet e Marina, que está considerando retornar ao PT. O vice-presidente Geraldo Alckmin também está na lista, embora relutante em concorrer, preferindo manter sua parceria com Lula.
Outras Negociações Regionais
Lula também teve encontros recentes no Rio Grande do Sul, onde recebeu a pré-candidata do PDT ao governo estadual, Juliana Brizola. Durante a reunião, Brizola solicitou apoio do presidente e ofereceu ao PT a indicação de um candidato a vice-governador. Lula demonstrou abertura para discutir a proposta com o diretório estadual do PT, que já lançou a pré-candidatura do deputado Edegar Pretto.
No Rio de Janeiro, Lula já formalizou apoio ao prefeito Eduardo Paes (PSD), que articula sua candidatura ao governo estadual em aliança com o MDB. O prefeito indicou Jane Reis como pré-candidata a vice-governadora, ampliando a composição da chapa.
Em Pernambuco, o presidente busca administrar as disputas entre aliados que pretendem se candidatar ao governo estadual. Ele mantém diálogo tanto com a governadora Raquel Lyra (PSD) quanto com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), ambos disputando seu apoio. Lula teve encontros com ambos durante sua passagem pelo estado para o carnaval.
Já em Alagoas, a situação é mais complexa, com Lula tentando encontrar um consenso sobre os candidatos ao Senado. Para o governo do estado, o apoio do presidente será para o ministro Renan Filho (Transportes), em meio a um cenário onde Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP) são adversários.
