Um espetáculo noturno em Catas Altas
Na pequena cidade de Catas Altas, a 120 km de Belo Horizonte, um hábito curioso atrai visitantes e moradores: lobos-guarás sobem à escadaria de uma igreja para se alimentar diante de uma plateia natural. Esse cenário inusitado acontece aos pés da Serra do Caraça, em um centro histórico do século XVIII totalmente protegido por tombamento, que preserva tanto a arquitetura colonial quanto a fauna local.
A origem da tradição da hora do lobo no Caraça
O costume de esperar o lobo-guará começou em maio de 1982, quando os religiosos do Santuário do Caraça perceberam que as lixeiras eram reviradas durante a madrugada. A investigação revelou que o responsável era justamente o lobo-guará, um animal tímido do cerrado, cujo nome científico significa “animal dourado de cauda curta”. Para facilitar o encontro, os religiosos passaram a deixar bandejas de carne nos portões da casa, e, com o tempo, os lobos começaram a se aproximar da escadaria da igreja, local onde hoje acontece o espetáculo natural.
O aparecimento dos animais, porém, não é garantido todas as noites. Os lobos mantêm seu instinto de caça, o que faz com que eles surjam quando desejam. Em algumas ocasiões, outros animais da reserva chegam primeiro às bandejas, tornando o momento ainda mais especial e imprevisível.
O diferencial da igreja do Santuário do Caraça
A igreja do Santuário do Caraça é a primeira neogótica do Brasil, construída com materiais da própria região. As pedras-sabão vieram da Cascatona, enquanto mármores foram extraídos próximos a Mariana e Itabirito, e o quartzito da Serra do Espinhaço completou a estrutura. A argamassa usada para unir tudo é feita de cal e pó de pedra, reforçando a ligação com o território mineiro.
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Além da igreja, o complexo abriga o prédio do antigo colégio, que hoje funciona como museu e biblioteca, e a antiga hospedagem, agora aberta para visitantes. O local é cercado por trilhas, cachoeiras e piscinas naturais, formando um cenário que une história, natureza e cultura.
Proteção do centro histórico de Catas Altas
Catas Altas cresceu ao redor da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1939. O núcleo histórico onde a igreja está inserida recebeu tombamento estadual pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) em 1989. A cidade surgiu no final do século XVII, por volta de 1694, com a descoberta de ouro nas áreas mais altas do terreno — fato que deu origem ao nome do município.
O centro histórico mantém ruas de pedra e casarões coloniais praticamente intactos, tornando-se uma parada obrigatória no Caminho dos Diamantes, que integra a famosa Estrada Real.
O que visitar em Catas Altas e na Serra do Caraça
As atrações da região estão concentradas entre o centro da cidade e o caminho que leva ao santuário. O Santuário do Caraça é um complexo que reúne a primeira igreja neogótica do Brasil, além de museu, biblioteca e hospedagem, aberto para visitação diária.
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Outros pontos de interesse incluem a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, com seu interior inacabado que revela as etapas da construção barroca mineira; a Igreja do Rosário, templo setecentista em pau a pique sobre alicerce de pedra; e a Capela de Santa Quitéria, uma pequena construção colonial no centro histórico tombado.
Para os amantes da natureza, o Bicame de Pedra, um aqueduto do século XVIII que integrava o antigo sistema de água das minas, e as trilhas com cachoeiras e piscinas naturais da reserva do Caraça completam o roteiro.
Clima e melhor época para visitar
Localizada em terreno elevado, encostada na serra, Catas Altas tem clima tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. As madrugadas costumam ser frias durante todo o ano, especialmente nas partes mais altas da serra. Esse clima contribui para a variedade de paisagens e para o charme das visitas ao longo do ano.
Um destino que une história, natureza e cultura
Catas Altas é um dos poucos destinos mineiros que oferece, em um único fim de semana, a experiência de conhecer um centro histórico protegido, uma igreja única no país e o contato próximo com o lobo-guará. A apenas duas horas de Belo Horizonte, pela Estrada Real, o local convida turistas a dormirem na serra, aguardarem o encontro noturno com os lobos e explorarem com calma as ruas e histórias da cidade no dia seguinte.
