São Paulo Innovation Week destaca o potencial tecnológico do Brasil
O engenheiro da Nasa, Gontijo, é um dos participantes do São Paulo Innovation Week (SPIW), um festival que se concentra em inovação, tecnologia e negócios, programado para acontecer em maio, na capital paulista. Promovido pelo Estadão em colaboração com a Base Eventos, o evento promete atrair cerca de 90 mil visitantes e contará com uma agenda repleta de palestras de renomados especialistas internacionais e nacionais, debates, além de espaços dedicados à troca de conhecimento e apresentações artísticas.
A conferência seguirá um formato semelhante ao da Rio Innovation Week, ocupando locais emblemáticos de São Paulo, como a Mercado Livre Arena Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Os ingressos já estão disponíveis.
Inovação e aceitação do risco como pilares
Em uma entrevista ao Estadão, Gontijo compartilhou suas perspectivas sobre a capacidade de São Paulo e do Brasil em implementar soluções tecnológicas avançadas para os desafios locais. Ele enfatizou a importância de aceitar riscos e aprender com os erros no processo de inovação, afirmando que os cientistas brasileiros não ficam atrás de ninguém, destacando-se em qualquer lugar onde atuem.
Ele explicou que projetos complexos, como o desenvolvimento de um rover para Marte, levam em média 10 anos desde a aprovação até o pouso no planeta vermelho. Para que isso ocorra, é necessário um financiamento robusto e um compromisso de longo prazo, caso contrário, as iniciativas podem ser interrompidas.
“A mecânica celeste não espera. Portanto, devemos estar prontos para lançar na janela de oportunidades, que ocorre a cada 26 meses”, destacou Gontijo, ressaltando que uma equipe técnica altamente qualificada é essencial para garantir que os lançamentos ocorram nos prazos estipulados.
Parcerias internacionais e aprendizados com falhas
O engenheiro mencionou a relevância das parcerias com empresas e outros países, citando a missão Mars 2020, que fez uso de colaborações com nações como França, Espanha, Noruega e Dinamarca. Ele lembrou que, apesar de dois insucessos consecutivos de missões da Nasa em 1999, essas experiências proporcionaram lições valiosas sobre a importância de aceitar riscos calculados em projetos inovadores.
“As empresas precisam ser audaciosas e aceitarem que todos os investimentos envolvem riscos. Quem não aceita, já sabe o resultado: nada vai acontecer”, afirmou Gontijo, ressaltando que cada projeto deve incluir uma avaliação clara dos riscos envolvidos.
A importância da divulgação científica
Para o engenheiro, é vital que aqueles envolvidos em ciência e tecnologia aproveitem cada oportunidade para compartilhar sua paixão e os avanços que estão sendo feitos. Ele enfatizou que a divulgação científica é fundamental por duas razões: a primeira é que os cidadãos, que financiam a pesquisa pública, têm o direito de saber como seu dinheiro está sendo investido. A segunda é que, ao expor mais a ciência, se estimula o interesse de jovens e crianças, incentivando-os a buscar carreiras na área científica, tecnológica ou de engenharia.
“Essa transformação do conhecimento acadêmico em produtos e riqueza é um desafio global, e o Brasil tem um potencial incrível para isso”, afirmou. Gontijo destacou exemplos de excelência, como a Embrapa e a Embraer, que são reconhecidas mundialmente e servem como orgulho nacional.
A Califórnia brasileira é um celeiro de inovações
Gontijo acredita que São Paulo pode ser comparada à Califórnia no que diz respeito à inovação e ao desenvolvimento tecnológico. A cidade, segundo ele, abriga iniciativas promissoras, como a startup em São Carlos que utiliza a técnica LIBS (Laser-Induced Breakdown Spectroscopy) para análises de solo, contribuindo para o agronegócio e a sustentabilidade.
Ele também mencionou um encontro recente que teve com um doutorando do Instituto de Física da USP, que desenvolveu um instrumento inspirado em tecnologias usadas em Marte para analisar a qualidade do café. “Essas inovações representam soluções reais para problemas brasileiros”, concluiu Gontijo.
O engenheiro finalizou enfatizando a importância de criar pontes entre universidades e o setor produtivo, afirmando que esse modelo deve ser expandido em São Paulo e em todo o Brasil. O futuro da inovação tecnológica no país depende de uma constante troca de conhecimento e de um comprometimento em transformar ideias acadêmicas em realidades práticas.
