Discussão sobre Fibromialgia e o Reconhecimento Legal
No dia 12 de fevereiro de 2026, o programa Conexões promoveu uma mesa redonda dedicada à fibromialgia, suas manifestações e as implicações da nova legislação federal que iguala os direitos de pessoas com essa condição aos de pessoas com deficiência. O encontro foi conduzido pela jornalista Luiza Glória, que guiou a conversa entre especialistas e pessoas que vivem com a doença.
Participaram do debate profissionais notáveis como Aloma Faria Izidoro, educadora física com 18 anos de experiência como personal trainer, que atualmente realiza atendimentos em domicílio e online; Carla Carvalho, professora da Faculdade de Direito da UFMG e advogada com especialização em direito da saúde; e Michelle Bruck, locutora e apresentadora do Universo Literário, que convive com a fibromialgia desde 2019.
A nova lei, sancionada em 2025, reconhece oficialmente a fibromialgia como uma deficiência. Essa legislação estabelece diretrizes que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve seguir no atendimento a pacientes diagnosticados, priorizando um atendimento multidisciplinar que inclua médicos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Além disso, a norma prevê a capacitação de profissionais para lidar com esta condição complexa.
Com a nova legislação, os pacientes diagnosticados com fibromialgia agora têm acesso a direitos como cotas em concursos públicos, aposentadoria por invalidez, auxílio-doença, desde que haja avaliação pericial, e Benefício de Prestação Continuada para aqueles com baixa renda. Essa mudança é um passo significativo no reconhecimento e no suporte a quem vive com essa condição debilitante.
O Fevereiro Roxo, campanha que acontece anualmente em fevereiro, visa conscientizar a população sobre doenças crônicas e incuráveis, como fibromialgia, lúpus e Alzheimer. O objetivo é reduzir o estigma e preconceito em relação a essas condições, promovendo um entendimento maior sobre a dor crônica, que muitas vezes é invisível.
Entendendo a Fibromialgia
A fibromialgia é caracterizada por dores musculares intensas e persistentes, frequentemente acompanhadas de fadiga extrema e distúrbios do sono. Os pacientes também podem apresentar sintomas como ansiedade e depressão. Embora a causa exata da fibromialgia ainda não seja completamente compreendida, há um consenso entre os especialistas de que a condição está relacionada à maneira como o sistema nervoso processa os estímulos. A Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que a fibromialgia afete entre 2% e 8% da população mundial, impactando cerca de seis milhões de brasileiros, com uma prevalência maior entre mulheres, em uma proporção que pode chegar a 7 para 1.
Essas estatísticas revelam a necessidade urgente de conscientização e suporte para os pacientes, que muitas vezes enfrentam desafios não apenas relacionados à dor, mas também à aceitação social e a um sistema de saúde que precisa estar preparado para atender suas necessidades específicas. O debate realizado no programa Conexões é um reflexo do crescente reconhecimento da fibromialgia como uma questão de saúde pública que não pode ser ignorada.
