A incerteza do apoio em Minas Gerais
A falta de um palanque consolidado em Minas Gerais para os dois pré-candidatos mais proeminentes nas pesquisas para a eleição presidencial – o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) – tem gerado um verdadeiro rearranjo nas candidaturas ao governo do estado. Essa movimentação reflete a influência do cenário político nacional, que se intensificou nas últimas semanas, especialmente entre dois partidos que fazem parte da base do governador Romeu Zema (Novo): PL e União Brasil.
Essas siglas eram inicialmente cogitadas para apoiar a chapa liderada pelo vice-governador Mateus Simões (PSD). Contudo, a mudança nas articulações nacionais poderá afastá-las do candidato que Zema endossa para sua sucessão.
Condições do PL para apoio
Dirigentes do PL afirmam que sua participação em uma chapa estadual passará pelo apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Essa exigência, no entanto, colide com uma promessa feita por Simões ao governador, quando decidiu deixar o Novo e se filiar ao PSD, no ano passado. “O presidente do partido, Gilberto Kassab, foi claro. Em Minas, o palanque para a candidatura presidencial é do governador Romeu Zema, e é assim que seguiremos”, afirmou o vice-governador na ocasião.
A decisão do PL sobre quem apoiará para o governo estadual dependerá da influência do deputado federal Nikolas Ferreira, o principal nome do partido no estado. Apesar do interesse de Flávio e de seus aliados em contar com Nikolas como candidato ao governo mineiro, ele já descartou essa possibilidade e deverá buscar a reeleição na Câmara dos Deputados.
Alternativas no PL e mudanças na federação
Entre as alternativas discutidas dentro do PL, está a possibilidade do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que frequentemente lidera as pesquisas de intenção de voto, embora ainda não tenha decidido se irá se candidatar. Além de Nikolas Ferreira, a sigla de Valdemar Costa Neto não parece ter outro nome forte para a disputa.
Enquanto o PL estava sob os holofotes de Simões, a federação entre União Brasil e PP já era considerada pelo vice-governador como parte de sua chapa, incluindo uma vaga para o Senado que seria destinada ao secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro (PP). No entanto, a certeza foi substituída pela incerteza quando o diretório estadual da União Brasil passou por mudanças de liderança.
O partido agora é chefiado pelo deputado federal Rodrigo de Castro, aliado do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), enquanto anteriormente era liderado pelo deputado federal Delegado Marcelo Freitas, próximo de Simões. Essa mudança é vista como resultado de uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e sugere que Pacheco possa estar se transferindo para a União Brasil.
A articulação de Simões e alternativas do PT
Simões assegura ter estabelecido um acordo com os presidentes nacionais do União e do PP, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, respectivamente. “Estou tranquilo, pois não fui abordado por nenhum dos dois partidos indicando que nosso acordo está em risco”, disse o vice-governador em uma entrevista ao jornal O Tempo.
A federação entre os dois partidos possui uma influência significativa na disputa, com 107 deputados, formando a maior bancada da Câmara. Este fato assegura um tempo importante de propaganda eleitoral para a chapa que se formar.
A possível saída de Pacheco para o União Brasil empolga os apoiadores da candidatura do senador ao governo do estado, servindo também como um palanque para a reeleição de Lula. Recentemente, Pacheco se reuniu com o presidente, mas manteve sua posição indefinida, apesar de Lula afirmar que ele era a única opção viável para o petismo.
Pacheco, por sua vez, declarou que pretende encerrar sua carreira política caso não haja necessidade de se lançar, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de concorrer se não houver uma alternativa forte.
Planos B do PT e novos nomes em consideração
Enquanto isso, o PT já começou a sondar novos nomes como alternativas para a candidatura estadual. Entre os mencionados estão o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), a reitora da UFMG, Sandra Goulart, e Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp e filho de José Alencar.
No entanto, as articulações em torno dessas opções ainda não avançaram. O único consenso do PT mineiro é que a prefeita de Contagem, Marília Campos, deverá ser a candidata ao Senado. Kalil ou o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) podem ser considerados para a outra vaga no Senado na chapa.
A proposta dos apoiadores de Pacheco é que ele poderia unir os setores da esquerda e do centro, atualmente representados apenas pelo ex-presidente da Câmara Municipal de BH, Gabriel Azevedo (MDB). Uma disputa que promete ser acirrada e repleta de reviravoltas à medida que as eleições se aproximam.
