Lula aborda o papel dos garis em discurso eleitoral
Em um discurso durante o Ato Nacional “Mulheres com Lula”, realizado em Belo Horizonte (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discutiu a valorização profissional e o papel do estudo na ascensão social. O trecho mais comentado foi quando ele comentou sobre os trabalhadores responsáveis pela coleta de lixo nas cidades, afirmando que essa é uma “profissão muito pobre” e que não gera orgulho para quem a exerce.
Lula destacou que profissões como as de engenheiro ou médico são associadas a orgulho, enquanto a de lixeiro, segundo ele, é vista como uma atividade de quem não teve acesso à educação. “Quando eu passo na rua e vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho. ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro, eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar”, afirmou.
Repercussão e análise do discurso
O comentário gerou críticas do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa eleitoral, que defendeu o “trabalho honesto”. Para Marco Antônio Teixeira, coordenador do Mestrado e Doutorado em Gestão e Políticas Públicas da FGV EAESP, a fala do presidente abriu uma brecha para ataques políticos, especialmente entre as camadas mais pobres da população.
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Teixeira explica que Lula, conhecido pela espontaneidade, não teve a intenção de menosprezar os garis, mas de valorizar o trabalho e destacar a necessidade de orgulho na atividade. O especialista ressalta que Lula tem histórico de políticas voltadas para catadores de materiais recicláveis e pessoas em situação de rua.
O cenário eleitoral polarizado intensifica o uso de qualquer oportunidade para desgaste político. “É um processo eleitoral extremamente disputado, então qualquer janela de oportunidade será explorada”, avalia o coordenador.
Contexto do evento e tema central
O ato em Belo Horizonte reuniu ministras, senadoras e candidatas de diversos estados para discutir políticas públicas focadas nas mulheres, estratégias contra a violência de gênero e o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e nos espaços de poder.
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Antes da fala polêmica, Lula incentivou as mulheres a exercerem seus direitos e a combaterem estereótipos sobre fragilidade feminina. Em seguida, ele exaltou o potencial que o estudo e o trabalho podem proporcionar às pessoas, destacando a importância da educação para melhorar a vida e as oportunidades profissionais de todos.
Transcrição do trecho central do discurso
“Tudo na vida da gente é uma questão da gente descobrir o potencial da gente. Quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho. ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro, eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar. Eu fico pensando, se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles, se eles soubessem que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar, a gente começa a mudar, porque o pobre é tratado como se fosse invisível. As pessoas não enxergam a maioria dos pobres. Dizem que os pobres são problemas. E qual é o problema, gente? É que ninguém tem orgulho de ser pobre. Ninguém quer ser pobre. Ninguém quer ganhar pouco. Ninguém. Se a gente tomar consciência disso, a gente tem que perceber o quê? É que todo mundo hoje tem que estudar um pouco, todo mundo. Porque quando a gente estuda e a gente tem uma profissão, tudo melhora na vida da gente, melhora o emprego, melhora o salário, melhora a relação da gente com a sociedade. Uma menina quando sai para procurar emprego, ela chega numa loja, aí o patrão pergunta: ‘Você sabe fazer o quê?’ ‘Nada.’ O rapaz vai procurar emprego, ‘quê cê sabe fazer?’ ‘Nada’. Olha, ninguém dá importância para quem não sabe nada. Então, nós temos que dizer olhando pro céu, nós não queremos ser pobre. Nós não nascemos para ser pobre. Nós não nascemos para não ter educação. Nós nascemos para ter direito. E é o Estado que tem que garantir a igualdade de oportunidade. É o Estado. É o Estado que tem que garantir que a filha de uma empregada doméstica possa disputar a mesma vaga da universidade que a filha da sua patroa, que o trabalhador de fábrica possa disputar a mesma vaga. É na educação que a gente garante a oportunidade para as pessoas e uma profissão.”
O vídeo completo do discurso está disponível no canal oficial do presidente Lula.
