Incerteza na Administração Municipal
Belo Horizonte — A prisão do prefeito de Guanhães, Evandro Lott Moreira (Republicanos), no dia 1º de abril, desencadeou uma crise política significativa na cidade mineira, deixando a administração sem um comando definido. Desde a detenção, que ocorreu em uma investigação sobre acusações de violência doméstica, a definição sobre quem lidera a prefeitura permanece nebulosa. O então vice-prefeito, Dr. Paulo de Tarso (Republicanos), que deveria assumir a chefia do Executivo em caso de impedimento do prefeito, está envolto em uma controvérsia que complicou ainda mais a situação.
Os moradores da cidade, preocupados com a falta de liderança, começaram a questionar publicamente nas redes sociais quem está à frente da prefeitura. A situação se torna ainda mais crítica, considerando que o caso tramita sob sigilo devido à sua relação com a Lei Maria da Penha.
Em uma nota ao Metrópoles, a Câmara Municipal de Guanhães destacou que Dr. Paulo de Tarso, eleito pelo voto popular, deveria assumir a posição de substituto legal do prefeito, conforme o artigo 91 da Lei Orgânica do Município. No entanto, até o momento, não há qualquer documentação oficial que comprove a posse do vice-prefeito, deixando a população ainda mais confusa sobre quem realmente está no comando.
Ruptura Política e Afastamento do Vice
A crise se aprofunda em um cenário de ruptura política, com Dr. Paulo de Tarso anunciando, em abril de 2025, sua saída do grupo político do prefeito. Ele justificou sua decisão por divergências “morais e administrativas”, afirmando que embora continuaria exercendo o cargo, não apoiaria mais a gestão. “Essa decisão não é uma disputa por poder, mas uma questão de princípios. A diferença entre promessas feitas à população e decisões que impactam a vida dos guanhanenses me levaram a essa postura”, declarou o vice-prefeito na época.
Esse posicionamento gerou incertezas sobre a relação entre os dois líderes e, agora, aumenta a confusão acerca da sucessão após a prisão de Moreira. No site da Prefeitura de Guanhães, Dr. Paulo de Tarso não consta no quadro administrativo, e até agora, nenhuma informação oficial foi divulgada sobre a mudança de comando.
De acordo com a legislação local, o vice-prefeito deve assumir o cargo em casos de afastamento ou impedimento do prefeito. Caso essa transição não ocorra, a responsabilidade recai sobre o presidente da Câmara Municipal, que pode ser chamado para liderar interinamente o Executivo. O presidente, Mauro Caneco (Republicanos), ainda não se manifestou sobre se assumirá a prefeitura.
Inércia da Câmara e Reações da População
A inércia da Câmara Municipal, após a prisão de Moreira, gerou críticas entre os cidadãos. A Câmara emitiu uma nota afirmando que os vereadores se reuniram para analisar tecnicamente o caso e as medidas a serem tomadas, mas não trouxe mais informações à público, o que deixou a população insatisfeita e preocupada.
No dia 6 de abril, os parlamentares se reuniram para discutir a possibilidade de abrir uma comissão de investigação sobre o caso do prefeito; no entanto, a sucessão no Executivo não foi abordada nas discussões. Assim, sem uma definição clara e sem decisões oficiais, Guanhães enfrenta um cenário de incerteza administrativa, com questionamentos sobre a continuidade dos projetos e a governança municipal.
A Câmara Municipal e seu presidente, Mauro Caneco, foram procurados para esclarecer quem está atualmente à frente da prefeitura e quais ações serão implementadas diante da ausência do prefeito. Não houve resposta até a divulgação desta matéria. A situação, sem dúvida, requer atenção e ação imediata para restabelecer a ordem e a confiança na administração pública de Guanhães.
