A Candidatura de Cleitinho e os Desafios Políticos
O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos de Minas Gerais, está oficialmente na corrida pelo governo do estado. A confirmação veio através do presidente do partido, Marcos Pereira, durante uma entrevista à Folha de S.Paulo. Cleitinho já manifestou apoio ao deputado federal Flávio Bolsonaro (PL), no entanto, a reciprocidade deste apoio depende de como o futuro político do colega Nikolas Ferreira (PL-MG) se desenhará.
Pereira comentou sobre a divisão interna no PL, ressaltando que a situação ainda não está definida. Ele acredita que a decisão pode caber a Nikolas, que atualmente está mais alinhado ao atual vice-governador, Matheus Simões, do PSD. Simões assumirá o governo em março, após a saída do governador Romeu Zema (Novo), que está focado em sua campanha presidencial.
Movimentos Estratégicos no Cenário Político
Para Pereira, o deputado Nikolas Ferreira está realizando um “cálculo político” que inclui suas próprias ambições para 2030. Com a iminente posse de Simões como governador, ele buscará a reeleição em outubro, o que o impossibilitará de concorrer novamente em quatro anos, podendo assim abrir espaço para novas candidaturas.
Por outro lado, a estratégia de Cleitinho é bastante promissora, uma vez que ele poderia permanecer no governo por até oito anos, até 2034. Essa perspectiva, segundo o presidente do Republicanos, pode influenciar as intenções de Nikolas, que também almeja o governo de Minas.
Pereira explicou: “Matheus não poderá mais se candidatar se for governador, e isso abre a vaga pra ele. O Cleitinho teria direito à reeleição, e Nikolas está esperando esse cenário durante oito anos.” A declaração foi feita na entrevista na quarta-feira, dia 25.
Impactos nas Eleições e a Relação com Flávio Bolsonaro
A candidatura de Simões, que anunciou apoio a Zema na eleição presidencial, pode ter implicações significativas para a votação de Flávio Bolsonaro em Minas. Isso porque, segundo a análise, o candidato que controla a máquina pública do estado estaria fazendo campanha para um opositor, o que pode causar transtornos nas urnas.
Anotações de Flávio Bolsonaro revelam um certo desânimo com a candidatura de Simões. Ao lado do nome do atual vice de Minas, consta a observação “me puxa para baixo”, indicando uma preocupação com o impacto negativo que isso poderia ter em sua própria campanha.
Cenário Pessoal e Estratégias Futuras
Em fevereiro, Cleitinho havia suspendido suas negociações eleitorais devido à saúde de seu irmão, que foi diagnosticado com leucemia. No entanto, já está comunicando a seus aliados que seguirá com sua candidatura. Recentemente, Cleitinho e Flávio Bolsonaro mantiveram conversas antes do Carnaval para discutir a disputa em Minas, mas ainda não chegaram a uma definição de apoio. Novas reuniões devem acontecer nas próximas semanas para esclarecer esses pontos.
Enquanto isso, Nikolas Ferreira também foi abordado por Flávio Bolsonaro no início de março, mas decidiu não se candidatar ao governo neste ano, optando por buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados, onde foi o mais votado do país nas eleições de 2022.
A Corrida Eleitoral em Minas e as Perspectivas do PT
No cenário mais amplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) procura o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como um potencial aliado para garantir um palanque no estado. Lula se reuniu com Pacheco há duas semanas e reiterou que ele seria a única opção viável em Minas, embora o senador não tenha se pronunciado sobre o assunto.
Minas Gerais, historicamente, é um estado crucial nas eleições. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos também venceram nas urnas mineiras, incluindo figuras como Fernando Collor (1989), Lula (2002 e 2006) e Jair Bolsonaro (2018). Em 2022, Lula venceu no estado por uma margem apertada de apenas 0,4 pontos percentuais, obtendo 50,2% dos votos contra 49,8% de Bolsonaro.
