MP Investiga Cancelamento do Passos Rodeio Show
A auxiliar administrativa Marina Tomé Maia, que desembolsou R$ 250 por um ingresso que garantiria acesso exclusivo aos quatro dias do Passos Rodeio Show, está ansiosa pela devolução do valor. Ela relata que, além do preço do ingresso, também teve outros gastos em razão da expectativa criada em torno do evento. “Fazia muito tempo que Passos não recebia uma festa com bons cantores. Todos compramos roupas novas, inclusive eu. Com tudo isso, acabamos gastando um dinheiro à toa”, desabafou Marina, que já recebeu o reembolso.
Segundo Felipe Lemos de Oliveira, promotor de eventos contratado pelo sindicato para a organização do rodeio, as vendas de ingressos iniciaram antes da assinatura do contrato com o Sindicato Rural, sob a alegação de que não envolveriam recursos públicos. “A devolução dos ingressos será feita pela própria etiqueteira, e aqueles que compraram em dinheiro podem levar os ingressos nos pontos de venda para receber o reembolso”, explicou.
O Passos Rodeio Show estava agendado para começar em 14 de maio, no Parque de Exposições da cidade, mas teve que ser cancelado após a abertura de um inquérito pelo Ministério Público. A investigação levanta questões sobre o papel do poder público e do Sindicato Rural na organização do evento. O MP também questionou a bancabilidade da terceirização de serviços pelo sindicato.
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Na última semana, o presidente do SinRural, Hélder Maia dos Reis, confirmou que a terceirização foi realizada, mas não vê irregularidade na prática. Além disso, uma recomendação do Ministério Público à Prefeitura de Passos apontou a falta de processo licitatório para a contratação dos shows. A administração municipal argumentou que não haveria tempo hábil para atender às exigências e optou pelo cancelamento do evento.
Impacto do Cancelamento sobre a Comunidade
O cancelamento do rodeio também teve consequências para participantes de fora da cidade. A empresária Patrícia Gregório, de Campos do Jordão, planejava levar uma etapa de uma competição equestre para o evento e já estava em Passos para finalizar a organização. “Muitas competidoras e seus familiares já tinham reservado hotéis e pousadas. Quem perdeu com isso foi a cidade. Mas, se havia algo irregular, é correto que se busque a regularidade”, avaliou.
Em nota, o Sindicato Rural de Passos ressaltou que não autorizou a venda de camarotes nem a utilização comercial do nome do Parque de Exposições para esse propósito. A entidade informou ainda que a empresa responsável pela venda foi notificada pela equipe jurídica do SinRural para suspender imediatamente as atividades e garantir a devolução dos valores aos compradores.
