O Papel da Ciência na sustentabilidade
No atual cenário global, somos bilhões de seres humanos que dependem da natureza, a qual se torna cada vez mais debilitada. As previsões para o futuro são alarmantes: a população continua crescendo, enquanto os impactos das mudanças climáticas se intensificam. Nesse contexto, os investimentos em ciência surgem como uma bússola essencial para a evolução da sociedade. Sem o preparo adequado, corremos o risco de comprometer a produção de alimentos e a disponibilidade de recursos fundamentais para a nossa sobrevivência.
No Brasil, existem exemplos que podem guiar esse caminho. Um deles é o setor que investe há décadas em pesquisa e desenvolvimento para garantir uma produção mais sustentável. Destaca-se a indústria de árvores cultivadas, que se tornou uma referência global em bioeconomia. Essa indústria fornece uma variedade de bioprodutos que se originam de matérias-primas renováveis, como embalagens, papéis para uso higiênico, roupas feitas de fibras celulósicas e até móveis e biomassa energética. Esses produtos já alcançam quase 4 bilhões de pessoas ao redor do mundo.
O Brasil se consagra como o maior exportador de celulose globalmente, é o sétimo maior produtor de papel e figura entre os dez maiores fabricantes de painéis de madeira. No último ano, o setor obteve um expressivo faturamento de US$ 14,9 bilhões com suas exportações. Para sustentar essa produção, essas empresas cultivam árvores em uma área de 10,5 milhões de hectares, utilizando práticas de manejo responsáveis. Um dos destaques são os mosaicos florestais, que combinam plantações comerciais com áreas de vegetação nativa, criando corredores ecológicos que promovem a conservação do solo, dos recursos hídricos e da biodiversidade.
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Essas empresas, independentemente das condições climáticas, plantam cerca de 1,8 milhão de árvores diariamente, contribuindo para a recuperação da cobertura vegetal em regiões degradadas. Essas árvores, por sua vez, desempenham um papel crucial na captura e armazenamento de gás carbônico da atmosfera. Vale destacar que, conforme o Atlas da Pastagem da Universidade Federal de Goiás, existem mais de 100 milhões de hectares de terras degradadas no Brasil, que podem ser utilizados para a produção de alimentos, fibras, energia e restauração florestal.
Desafios do Setor Florestal
A indústria brasileira de árvores cultivadas, embora seja um exemplo de sucesso, enfrenta vários desafios. Um deles é o aumento do protecionismo, que desrespeita as normas do comércio internacional, além do crescimento das importações em áreas como papel cartão devido ao fechamento de mercados. Internamente, a carga tributária elevada e a limitação de recursos humanos também comprometem a competitividade do setor.
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Outro desafio significativo é a crescente demanda por madeira. Na década de 1970, a produtividade média das árvores plantadas era de aproximadamente 10 m³ por hectare por ano. Hoje, esse número saltou para 33 m³ por hectare, evidenciando que é possível produzir mais utilizando menos recursos naturais. Esse avanço deve-se a investimentos em pesquisa e inovação, permitindo o melhoramento e a seleção de espécies mais adaptadas a diferentes microrregiões.
No entanto, a crescente demanda por produtos florestais está sendo ofuscada pelos impactos das mudanças climáticas. Muitos especialistas acreditam que é fundamental discutir mais a fundo as biotecnologias que podem fortalecer nossa resiliência climática. Nesse contexto, a exploração de novas tecnologias, como a edição gênica (CRISPR) e Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), pode oferecer alternativas para desenvolver árvores mais resistentes ao aumento das temperaturas, à escassez de chuvas, a pragas e a menos dependentes de pesticidas.
Infraestrutura e Oportunidades no Setor
Entretanto, não podemos ignorar a antiga questão da infraestrutura. A carência de rodovias, ferrovias, portos e conectividade no campo é um entrave para o setor. Muitas empresas têm que incluir investimentos em infraestrutura em seus orçamentos, mas isso não é suficiente. É imprescindível que o governo trabalhe para melhorar o ambiente de negócios e proporcione segurança jurídica, atraindo capital privado necessário para desenvolver uma infraestrutura adequada.
A agroindústria de árvores cultivadas é um exemplo de sucesso no Brasil, que apostou em pesquisa, formação de capital humano e na conquista de mercados internacionais. Sua trajetória inspiradora é detalhada no documentário “Novas Raízes – Escolhas do Futuro”, disponível na HBO Max.
Embora o passado e o presente sejam importantes, não são suficientes. Temos conquistas a celebrar, mas também grandes desafios a enfrentar. Este texto destacou algumas questões. Chegou a hora de traçar novos capítulos nessa história de sucesso. Os setores produtivos devem se integrar como parte da solução, e estamos prontos para abrir os caminhos que nos levarão ao futuro que já vislumbramos.
