Diálogo Sobre Acesso ao Crédito em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o cenário de inadimplência é alarmante. Dados recentes indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, o número de pessoas com dívidas cresceu 8,6%, passando de 7,13 milhões para 7,75 milhões. Esse aumento representa, em apenas um mês, entre setembro e outubro, um acréscimo de 2%, ou cerca de 164 mil novos consumidores com CPF negativado. Esse panorama leva à urgência de um diálogo direto entre os setores envolvidos e a população.
Para abordar essa questão, o Instituto Nacional de Apoio e Defesa à Democratização do Crédito e Serviços Financeiros (INDC), que faz parte da Frente Parlamentar Mista pela Democratização do Crédito e Serviços Financeiros (FPDC), lançou uma série de encontros por diversas regiões do Brasil. O objetivo é discutir estratégias para melhorar o acesso ao crédito, especialmente em um contexto econômico desafiador, onde mais de 80 milhões de brasileiros estão endividados e o total das dívidas já ultrapassa R$ 509 bilhões, com Minas Gerais respondendo por 9% desse total.
O deputado federal Eros Biondini (PL-MG), ativo em pautas que visam democratizar e facilitar o crédito, acredita que, apesar da crescente inadimplência, o mercado de trabalho em Minas mostra sinais positivos que podem facilitar o acesso a recursos financeiros. “Estamos em um ambiente promissor para expandir o acesso ao crédito, mas é fundamental que a população tenha acesso a informações e educação financeira para utilizar essas oportunidades de forma responsável”, enfatiza o parlamentar.
O estado de Minas Gerais termina o ano de 2025 registrando a menor taxa anual de desemprego desde 2012, com uma taxa de desocupação de 4,6%. No último trimestre do ano, essa taxa chegou a 3,8%, evidenciando que Minas tem um desempenho superior à média nacional. Atualmente, o estado ocupa a segunda posição no Brasil em número de empregos formais, com aproximadamente 4,9 milhões de vagas com carteira assinada.
A diretora-executiva da FPDC, Soraya Mendanha Chaves, ressalta o efeito social positivo da democratização do crédito: “Isso proporciona dignidade, desenvolvimento e mais oportunidades para diversas famílias, especialmente mulheres e as comunidades mais vulneráveis”. Os organizadores do evento reforçam que a série de encontros visa fortalecer políticas que conectem geração de renda, educação financeira e um acesso consciente ao crédito, como formas de promover um desenvolvimento sustentável.
“Com esses diálogos, nosso objetivo é estabelecer um laço mais próximo entre a sociedade civil e as instituições públicas e privadas, visando a democratização do crédito e, consequentemente, o impulso da economia e da transformação social”, declara Elias Sfeir, presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) e do INDC.
Ademais, a presença de correspondentes de crédito em todo o país, especialmente nas áreas menos atendidas por serviços financeiros, é apontada pelo presidente da Associação Nacional dos Profissionais e Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País (ANEPS) como crucial para a inclusão social. “Nosso foco é garantir que o crédito chegue a quem realmente precisa, de maneira consciente e sustentável”, conclui.
Os encontros promovidos pelo INDC, com o apoio institucional da ANBC e ANEPS, visam engajar a população em Minas Gerais, que é o segundo estado a receber essa importante iniciativa. A programação dos eventos traz uma esperança renovada para muitos que enfrentam dificuldades financeiras.
