Resultados do Investimento em Ciência e Tecnologia
Na última quarta-feira (15/04/2026), o Governo do Paraná anunciou os resultados operacionais do Fundo Paraná, uma iniciativa crucial gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Em 2025, o valor investido alcançou R$ 609,7 milhões, um aumento de 4,8% em relação aos R$ 581,6 milhões do ano anterior. Para o ano de 2026, a previsão orçamentária aponta um total de R$ 604,3 milhões, conforme detalhado na Lei Orçamentária Anual (LOA). O balanço foi apresentado na reunião do Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia (CCT Paraná), sediada na Fundação Araucária, em Curitiba.
No último ano, os recursos foram distribuídos entre todos os 399 municípios do estado, abrangendo desde a formação de profissionais qualificados até a criação de infraestrutura voltada para ciência e tecnologia. Foram, ao todo, financiadas 7.065 bolsas de estudo e pesquisa, um passo importante rumo ao fortalecimento da formação de cientistas e da capacidade de pesquisa no Paraná. Essas iniciativas estão alinhadas com a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Pecti-PR 2024-2030), que visa promover a colaboração entre universidades, setor privado e o governo.
Apoio a Projetos Multidisciplinares
Os mais de 700 projetos apoiados diretamente pela Seti, com recursos do Fundo, abordam uma vasta gama de desafios e eixos da Pecti-PR, demonstrando a natureza multidisciplinar das iniciativas financiadas. Entre os principais objetivos, destacam-se a popularização da ciência, a cooperação entre universidades e empresas e o estímulo ao desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicação no setor público. Os eixos estruturantes das ações focam na formação de capital humano, na expansão da ciência e na pesquisa científica e tecnológica.
O secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, ressaltou a importância do esforço contínuo e estruturado que vem sendo implementado no Paraná. “O avanço na ciência se dá através de uma visão de longo prazo; o que observamos no Paraná é uma dedicação constante para aumentar nossa capacidade de pesquisa e desenvolver um ecossistema de inovação robusto, capaz de responder a mudanças globais e consolidar um futuro baseado no conhecimento”, declarou.
Bona também esclareceu que o CCT Paraná é o órgão responsável por deliberar sobre o Fundo Paraná. “A execução recorde de R$ 609,7 milhões no ano passado marca uma diferença significativa em comparação aos menos de R$ 80 milhões disponíveis em 2019. Essa reunião visa não apenas prestar contas dos recursos investidos, mas também planejar o futuro de 2026, estabelecendo o Paraná em um novo patamar de investimento em ciência e tecnologia”, enfatizou o secretário.
Instituições Envolvidas no Fundo Paraná
Dentre as instituições que colaboram na distribuição dos recursos do Fundo Paraná, segundo a Lei nº 21.354/2023, estão a Seti, a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), a Fundação Araucária, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Durante a reunião do CCT Paraná, os gestores apresentaram relatórios detalhados de prestação de contas de 2025, incluindo previsões orçamentárias para 2026.
Destaques e Novas Iniciativas
Um dos projetos mais destacados de 2025 foi a revitalização do Parque da Ciência Newton Freire Maia, que recebeu R$ 47,3 milhões. O centro, dedicado à divulgação científica, ganhará o mais moderno planetário da América Latina, equipado com uma cúpula imersiva de 18 metros e um auditório para 300 pessoas. Essa nova estrutura terá capacidade para receber até 140 mil visitantes anualmente e contará com simulações de mais de 9 mil corpos celestes, permitindo a projeção de planetas e fenômenos astronômicos com tecnologia de ponta.
Outro projeto relevante, denominado Unidata, recebeu R$ 12 milhões para aprimorar a gestão de dados acadêmicos nas sete universidades estaduais, facilitando o acesso e a otimização de processos. Além disso, o Complexo Pequeno Príncipe, localizado em Curitiba, contou com R$ 992,8 mil para aquisição de equipamentos de alta complexidade voltados para pesquisas de terapias avançadas, especialmente para doenças neurológicas como o Alzheimer.
Nova Resolução e Gestão de Recursos
A reunião também destacou as diretrizes da Resolução n.º 39/2026, que regulamenta a gestão técnica, os critérios e normas de distribuição de recursos, além do acompanhamento e avaliação das ações financiadas pelo Fundo Paraná. Essa nova normatização institui o Sistema Integrado de Gestão de Projetos (Sigep) como plataforma oficial para gerenciar todas as etapas das propostas, desde a aprovação até a execução e conclusão.
Para Michel Jorge Samaha, coordenador da Unidade Executiva do Fundo Paraná (UEF), essa nova abordagem de governança representará um grande avanço na gestão dos recursos públicos destinados à ciência. “Gerir uma dotação orçamentária tão abrangente requer padronização, transparência e controle rigoroso. O Sigep será uma ferramenta essencial para integrar todas as fases do processo, assegurando que os recursos sejam aplicados com responsabilidade e total rastreabilidade”, afirmou.
A nova resolução também trouxe mudanças significativas à UEF, que agora conta com uma assessoria técnica, duas coordenações (Administrativa e de Projetos) e três núcleos (Gerencial e Estratégico; de Monitoramento e Avaliação; e de Governança de Dados e Sistemas). O intuito é padronizar procedimentos, aumentar a transparência e garantir eficiência na aplicação dos recursos públicos.
