Expectativas de Crescimento no Setor de Bares
Com a Copa do Mundo se aproximando, os estabelecimentos de Belo Horizonte estão ajustando suas estratégias financeiras. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Karla Rocha, revela que a expectativa é de um crescimento de pelo menos 30% no faturamento, comparando com o que foi registrado durante a Copa de 2022, no Catar. A primeira edição do torneio a contar com 48 seleções acontecerá em três países: Estados Unidos, México e Canadá.
O otimismo se dá, em parte, pelo calendário das partidas. Os jogos iniciais da seleção brasileira estão agendados para os dias 13 e 19 de junho, um sábado e uma sexta-feira. O primeiro jogo, contra Marrocos, ocorrerá às 19h, enquanto o segundo, contra o Haiti, está marcado para às 21h30. “Esses dias costumam atrair um bom movimento para os bares”, observa Rocha.
Preparativos e Estratégias de Lucro
Karla enfatiza a importância de uma estratégia bem planejada para maximizar os lucros durante o torneio. “Os bares devem se preparar com investimentos em bons televisores e telões para oferecer uma experiência confortável aos clientes. Além disso, é essencial criar um ambiente atrativo com decorações temáticas e promoções relacionadas aos jogos”, aconselha.
Outro ponto destacado é a necessidade de reforçar as equipes de trabalho, uma vez que o aumento significativo no fluxo de clientes exigirá mais mão de obra. “Contratações temporárias podem ser uma solução, assim como a realocação de colaboradores nas áreas mais movimentadas”, completa a presidente da Abrasel-MG.
Além disso, a gestão dos insumos também requer atenção especial. “Ao contrário de outras datas comemorativas, a Copa do Mundo se estende por um mês e pode gerar picos de movimento em pelo menos sete dias, dependendo do desempenho da equipe brasileira”, ressalta Rocha.
Decorações Temáticas e Reservas Antecipadas
Um bar localizado no coração da Savassi, o Redentor, já começou a se preparar para as festividades. A gerente de marketing do local, Paula Cavalcanti, menciona que eles estão decorando o espaço com elementos que remetem à bandeira brasileira. “Estamos planejando alugar mais televisores para garantir que todos possam assistir aos jogos confortavelmente”, afirma.
Paula também relata que o local já está recebendo pedidos de reservas para os dias de jogo. “Essa demanda antecipada é fundamental para organizarmos o fluxo tanto na área de atendimento quanto na cozinha”, explica. A expectativa é de que a casa alcance capacidade máxima nos dias em que a seleção entrar em campo. “A nossa estratégia será adaptar a equipe para assegurar um atendimento de qualidade, mesmo em momentos de grande movimento”, finaliza.
Impactos do Torneio no Comércio Varejista
Enquanto os bares esperam um aumento nas vendas, o cenário é diferente para o comércio varejista. A economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Gabriela Martins, informa que, segundo um estudo do BTG Pactual, as vendas podem cair até 12% durante os jogos da seleção brasileira, com uma possível redução de até 40% no movimento dos shoppings.
“A maioria dos comércios sente o impacto da diminuição da circulação de pessoas nos dias das partidas. Quando o jogo termina, muitas pessoas optam por não sair para fazer compras”, comenta a economista. Por outro lado, ela acredita que itens relacionados ao torneio, como vestuário e acessórios com temas brasileiros, devem ter um desempenho positivo.
Repercussões nos Shoppings de Minas Gerais
Marcelo Silveira, superintendente da Associação dos Lojistas de Shoppings Centers de Minas Gerais (Aloshopping-MG), explica que o primeiro jogo da seleção contra Marrocos, no dia 13 de junho, poderá impactar negativamente o faturamento dos lojistas. “Essa partida, que começa às 19h de um sábado, horário crítico para o movimento nas lojas, pode reduzir a receita, especialmente na taxa de estacionamento”, diz.
Ele ainda observa que jogos em horários matinais têm um efeito ainda mais prejudicial nas vendas, já que as lojas tendem a abrir após o término das partidas e geralmente recebem poucos clientes. Marcelo destaca que as estratégias para minimizar as perdas devem ser alinhadas com o perfil de cada shopping, pois shoppings de alto padrão podem não se beneficiar de telões na Praça de Alimentação, ao contrário dos estabelecimentos mais populares, onde essa estratégia pode alavancar as vendas.
