Mercearia Matula em Macau
Após 15 dias na China, Daniela Fernandes retorna a Belo Horizonte animada com a participação da Mercearia Matula na International Cities of Gastronomy 2026, feira realizada de 20 a 30 de março em Macau. “A experiência foi extremamente positiva. Tivemos a oportunidade de compartilhar um pouco da essência de Minas Gerais com o público do outro lado do mundo, e os resultados foram muito animadores”, destaca. Além da Mercearia Matula, o evento contou com a presença do Café Palhares, dos restaurantes Roça Grande e Feijão, além da Julieta Biscoito e do Bar Pirex.
Desafios da Comunicação
Um dos principais desafios enfrentados por Daniela foi a barreira da comunicação. “Curiosamente, apesar de Macau ter sido uma ex-colônia portuguesa, o português é quase inexistente por lá”, observa. “Em muitos momentos, o inglês também não foi suficiente, mas a comida acabou se tornando uma linguagem universal, capaz de criar conexões que dispensam tradução. Fiquei surpresa com o quanto os produtos mineiros despertaram interesse e afeto”, complementa. Ela ainda relata que a colônia portuguesa adquiriu todos os produtos da Doces Zélia, principalmente as goiabadas. “Foi emocionante ver esse reconhecimento espontâneo. Vendemos todos os cafés e deixamos alguns lotes do Teresa Café em um restaurante local, o que abre uma porta interessante para futuras colaborações. Belo Horizonte e Minas Gerais foram recebidos de forma calorosa no evento, tanto pela Mercearia Matula quanto pela Julieta Biscoito”, garante.
Produtos que Representam Minas
A Mercearia Matula apresentou à China produtos que, segundo Daniela, simbolizam a força da produção artesanal mineira e a conexão emocional que temos com a comida. “A goiabada de Ponte Nova e os grãos especiais do Teresa Café chamaram a atenção. A goiabada se destacou pela textura e sabor equilibrados, enquanto o café cativou pela qualidade e pelas histórias que envolvem sua produção. É fascinante ver como esses produtos carregam memórias e identidades, e como isso ressoa com pessoas de diferentes culturas”, explica.
Experiência Gastronômica Internacional
Durante sua estadia, Daniela se dedicou a experimentar a gastronomia local. “A comida de Macau é bastante distinta da mineira. É mais doce, utiliza muitas especiarias, tem pouco sal e apresenta cortes de carne e tipos de arroz diferentes dos que estamos acostumados”, aponta. “A doçura e os condimentos têm um significado cultural muito forte por lá. Isso nos fez refletir sobre nossas práticas de tempero e como cada culinária expressa o território de onde provém. A principal lição é que a comida é uma excelente tradutora de culturas. Ela fala sobre clima, ingredientes, histórias e até sobre a forma de viver de um povo”, analisa.
Um Projeto que Une Cultura e Gastronomia
A mercearia é um desdobramento do Matula Film Festival – Cinema e Comida. “O projeto nasceu do amor pelas particularidades dos hábitos alimentares que formam grande parte da identidade regional brasileira. Mais do que uma loja, a Matula é uma plataforma que une comida, memória e audiovisual, com o objetivo de manifestar de forma lúdica e sensível a cultura alimentar do nosso país: diversa, afetiva, ancestral e profundamente conectada ao território”, ressalta Daniela Fernandes.
Produção Audiovisual e Resgate de Memórias
Além de uma cuidadosa seleção de produtos artesanais, a Mercearia Matula também desenvolve conteúdos audiovisuais que exploram as narrativas da cultura alimentar brasileira. “Estamos produzindo filmes e desenvolvendo séries e registros documentais sobre técnicas tradicionais, utensílios e modos de preparo que revelam a sabedoria cotidiana de quem faz a nossa comida acontecer”, explica. O foco é, acima de tudo, o resgate de raízes e memórias.
Matula Histórias da Comida Brasileira
A Matula Histórias da Comida Brasileira é uma plataforma audiovisual que reúne um festival de cinema, uma mercearia e projetos de pesquisa envolvendo o imaginário afetivo e poético dos saberes e sabores do Brasil. A feira International Cities of Gastronomy reuniu cidades que receberam da Unesco o título de Cidade Criativa da Gastronomia, e Belo Horizonte marcou presença pelo segundo ano consecutivo no evento.
