Rodrigo Pacheco se Filia ao PSB e Critica Totalitarismo
Nesta quarta-feira, 1°, o senador Rodrigo Pacheco fez oficial sua filiação ao PSB, após deixar o PSD. A mudança de partido ocorre em um momento estratégico, de olho nas próximas eleições. Apesar da nova filiação, Pacheco ainda não decidiu se irá concorrer ao governo de Minas Gerais, afirmando que essa decisão será tomada na próxima segunda-feira, 6, após conversas com lideranças do estado. Ele é considerado uma das figuras principais para representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas, um estado de grande relevância eleitoral.
“As definições sobre as candidaturas se darão ao longo dos próximos tempos, até o momento da convenção. Apenas então teremos clareza sobre quem comporá a chapa para o governo e o Senado”, afirmou. O evento de filiação ocorreu na sede do PSB em Brasília e contou com a presença do presidente do partido, João Campos, e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Pacheco também levantou a hipótese de não liderar a chapa ao governo mineiro, destacando que sua filiação não deve ser confundida com um anúncio de candidatura. “Esta é uma filiação e não uma candidatura. Pode haver outro nome capaz de representar uma causa que é muito mais abrangente, focando no projeto de reconstrução do estado”, declarou.
O senador ressaltou a importância de consultar amplamente lideranças estaduais e nacionais antes de tomar uma decisão, mencionando conversas com Lula, Aécio Neves, presidente do PSDB, e Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte.
Em uma conversa com Lula, Pacheco mencionou: “Meia hora antes de chegar ao PSB, o presidente me ligou, parabenizando pela filiação e desejando boa sorte. Ele está ciente da expectativa que temos em Minas por esse compromisso”.
Crítica ao Totalitarismo
Durante seu discurso, Pacheco enfatizou que a defesa da democracia é sua “causa de vida”, convocando todos os “democratas” a se unirem contra o totalitarismo. “Movimentos totalitaristas e o negacionismo são riscos reais, e a ruptura institucional ainda é uma ameaça. É fundamental que os democratas deste país se mobilizem para enfrentar tais desafios”, declarou.
O senador também destacou que o PSB possui um histórico de luta contra totalitarismos, mencionando as posturas do partido em relação ao golpe de Estado em 2023 e a defesa da vacinação contra a Covid-19. “[O PSB] sempre defendeu o Brasil contra regimes autoritários e em prol dos trabalhadores. Essa é uma missão que o partido abraçou ao longo da sua trajetória, especialmente em períodos turbulentos”, afirmou.
Pacheco elogiou o PSB como um partido que promove o verdadeiro patriotismo e que se posiciona ao lado daqueles que defendem a democracia. “O PSB defende a ciência e a vacina, que são essenciais para o bem-estar da população. No momento em que a responsabilidade social era crucial, o partido se posicionou corretamente”, completou.
Responsabilidade Fiscal e Redes Sociais
O senador abordou a importância da responsabilidade fiscal para que o PSB possa se afirmar como um “partido moderno”. “Todos queremos desenvolvimento humano e social, mas isso só é possível se houver responsabilidade fiscal. Não se pode negligenciar o uso do erário público nas políticas sociais que queremos implementar”, disse.
Fazendo uma crítica indireta a rivais, Pacheco questionou o foco excessivo em redes sociais na política. “A responsabilidade fiscal é crucial para um partido que deseja ser visto como eficaz. Embora plataformas como TikTok e Instagram tenham seu valor, é fundamental que nossas ações resultem em entregas concretas para a população”, afirmou.
Ele ainda pontuou que a “política responsável” pode não ser popular. “O PSB busca integrar em seus quadros pessoas que possuem um compromisso real com a democracia e que não se rendem à tentação das redes sociais em busca de aprovação imediata”, concluiu.
Por fim, Pacheco mencionou a necessidade de o partido ter uma atenção especial para com os entes federados, destacando a relevância dos prefeitos e a conexão deles com as comunidades. “Quero propor que o partido tenha um olhar mais atento para os municípios, onde as pessoas de fato vivem”, sugeriu.
Histórico e Futuro
Rodrigo Pacheco, que já foi deputado federal e se tornou senador em 2018, é atualmente presidente do Senado desde 2021. Lula tem incentivado uma candidatura dele ao governo mineiro, embora Pacheco tenha relutado, inicialmente esperando uma indicação para o Supremo Tribunal Federal. Com a escolha de Jorge Messias para a vaga no STF, o cenário mudou, levando Pacheco a considerar sua permanência na política e uma possível candidatura ao governo.
Após conversas com Lula, o senador renovou suas articulações políticas e expressou publicamente seu apoio ao presidente: “É uma honra acompanhar Lula, um político que sem dúvida está gravado na história do Brasil como um dos maiores defensores da democracia”, disse Pacheco durante evento em Sete Lagoas, MG.
