Matheus Simões e a Continuidade do Governo Zema
Após a renúncia de Romeu Zema (Novo) para concorrer às eleições presidenciais, Matheus Simões (PSD) assumiu o governo de Minas Gerais em 22 de março. Segundo especialistas em política mineira, a chegada de Simões ao cargo não traz mudanças significativas, mas sim a continuidade de um projeto que busca desmantelar o setor público e reduzir o papel do Estado. Essa avaliação é compartilhada por diversos analistas, que apontam para um cenário de autoritarismo que se agrava sob sua gestão.
Durante o governo de Zema, que também enfrentou críticas por parte dos servidores públicos e por ter elevado a dívida do estado, medidas foram tomadas em favor da privatização de importantes serviços públicos. Isso, segundo o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), criou um ambiente de relações autoritárias com movimentos sociais e organizações.
Simões, que atuou como vice-governador no mandato de Zema, foi fundamental na elaboração de propostas como a Reforma Administrativa e a privatização de empresas estatais. “Simões é a continuidade de um governo que prioriza a privatização e mantém uma postura autoritária em relação à sociedade”, afirma Correia.
A Ascensão da Extrema Direita
A ideia de continuidade nas políticas de Zema é reforçada pelo professor José Luiz Quadros, da UFMG, que acredita que as ações de Simões estão inseridas em um contexto global de ascensão da extrema direita. Para ele, não se pode falar em um projeto positivo, mas sim em um desmantelamento do Estado que favorece apenas interesses financeiros, deixando os cidadãos comuns à margem.
Quadros argumenta que, sob o governo Zema e agora sob Simões, as políticas públicas foram abandonadas em prol de um modelo que beneficia apenas quem já possui capital, gerando um cenário de desigualdade crescente.
Privatizações em Foco
O papel de Simões na articulação da privatização de serviços públicos é um dos pontos centrais de crítica. Ele foi quem apresentou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) uma proposta para eliminar a necessidade de referendo popular para desestatização de empresas como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Essa proposta, aprovada sob pressão, evidencia uma tendência clara para a privatização em massa.
Recentemente, logo após sua posse, Simões deu início ao leilão que entregue a gestão de 95 escolas públicas a uma Parceria Público Privada (PPP), gerenciada pela IG4 BTG Pactual Health Infra. A decisão foi amplamente criticada por educadores e comunidades escolares, que temem por uma qualidade de ensino comprometida pela lógica mercadológica.
Denise Romano, do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE/MG), comenta que as ações do governador demonstram um desinteresse pelos interesses da população e um foco nas elites. “Essa gestão não traz nada de positivo para a educação pública”, ressalta.
Desafios com Servidores Públicos
Outro desafio que Simões enfrenta é a insatisfação generalizada dos servidores públicos, que reclamam de salários defasados. Profissionais de diversas áreas, como saúde e educação, relatam perdas salariais que podem chegar a 50%, especialmente no caso de policiais civis e militares.
Em resposta a essas reivindicações, a proposta de reajuste oferecida por Simões — de apenas 5,4% — foi considerada insuficiente e aprovada na ALMG, mas gerou revolta entre os trabalhadores. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) criticou duramente a gestão, afirmando que Simões tenta mudar a narrativa pública enquanto as condições dos servidores pioram.
Um Histórico Controverso
Antes de sua ascensão ao governo, Simões já acumulava um histórico polêmico na política. Como vereador em Belo Horizonte, foi um dos defensores do projeto Escola Sem Partido, ganhando notoriedade negativa após um incidente em que agrediu um colega vereador.
Outros episódios controversos envolveram sua postura em relação à criação de escolas cívico-militares, mesmo após determinações legais que consideravam a prática irregular. Essas atitudes reforçam a percepção de que Simões representa uma continuidade de problemas e retrocessos nas políticas públicas.
A Futuro do Governo Simões
O futuro político de Matheus Simões é incerto, segundo Rogério Correia, que acredita que a população está cada vez mais consciente das consequências das políticas que ele defende. “Simões precisa perceber que sua gestão não é bem vista pela sociedade, que clama por um governo que valorize o serviço público e promova justiça social”, finaliza.
