Reconhecimento pelo CNPq
A professora Deborah Carvalho Malta, vinculada ao Departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, conquistou o 2º Prêmio Mulheres e Ciência na categoria Trajetória. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 9 de outubro, pelo CNPq, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério das Mulheres, o British Council Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Este prêmio visa valorizar a relevância das mulheres na ciência e tecnologia.
Deborah Malta vê a conquista como um reconhecimento de sua ampla trajetória profissional. “Esse resultado é fruto de uma construção coletiva, envolvendo familiares, amigos, alunos, docentes, direções dos órgãos em que atuei e, notadamente, o Ministério da Saúde e a UFMG”, destacou a professora. Em sua fala, ela enfatizou os temas que a motivam em sua pesquisa: “Minha dedicatória abrange a melhoria da informação em saúde, o enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) e seus fatores de risco, a formulação de políticas públicas voltadas para a promoção da saúde, bem como a luta contra desigualdades sociais e a violência de gênero, além das iniciativas para aprimorar o Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Contribuições e Publicações
A professora é reconhecida como uma das cientistas mais produtivas do Brasil, com mais de 880 publicações registradas na Plataforma Lattes, abordando temas variados como DCNTs, inquéritos populacionais, análise de fatores de risco, estudos sobre mortalidade e a carga global de doenças. Além disso, seus trabalhos incluem a aplicação da Inteligência Artificial e a avaliação em saúde.
Esse reconhecimento recente é apenas a continuação de uma trajetória já admirada, pois Deborah Malta foi classificada como a pesquisadora brasileira mais influente no portal acadêmico Research.com entre as 1.000 mulheres cientistas do mundo nos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025. No ranking da Stanford University, ela se destaca como a cientista da UFMG mais citada e ocupa a 20ª posição entre as pesquisadoras do Brasil para a edição de 2025. No ranking AD Cientifics Index, que avalia cientistas na América Latina, ela figura na 28ª posição entre suas compatriotas e é reconhecida como uma das influenciadoras em políticas públicas a nível global, segundo um estudo da Agência Bori divulgado no ano passado. Em 2023, Malta recebeu ainda o Prêmio Mulheres na Ciência Amélia Império Hamburger, concedido pela Câmara dos Deputados do Brasil.
Pionerismo na Saúde Coletiva
Em entrevista ao Portal UFMG, concedida em 2023, Deborah Malta compartilhou que seu interesse pela saúde pública surgiu logo após a graduação em Medicina, nos anos 1980. “Descobri a epidemiologia e percebi que meu foco não era apenas cuidar de pacientes individualmente, mas sim contribuir para a solução de problemas de saúde em nível coletivo”, afirmou. “O que me motiva até hoje é compreender como as políticas públicas na área de saúde podem impactar a vida das pessoas”, completou.
Premiação e Futuras Etapas
A segunda edição do Prêmio Mulheres e Ciência recebeu um total de 684 inscrições, premiando em quatro categorias que visam estimular jovens mulheres, reconhecer pesquisadoras em diferentes fases da carreira científica e valorizar instituições que apoiam a igualdade de gênero no sistema nacional de ciência e tecnologia. Na categoria Trajetória, que homenageou Deborah Malta, também foram laureadas as professoras Teresa Bernarda Ludermir, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Liliam Cristina Barros Cohen, da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Conforme o edital do prêmio, as candidatas têm até o dia 18 de fevereiro para recorrer do resultado preliminar. O resultado final será publicado após a análise dos recursos apresentados, e a cerimônia de premiação está marcada para 5 de março, na sede do CNPq em Brasília. A lista completa dos premiados nas quatro categorias pode ser consultada no site do CNPq.
