Encontro discute futuro da ciência no Brasil
Começou na manhã desta segunda-feira (29), no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o 2º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência. Organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), UFMG, Academia Brasileira de Ciência (ABC) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o evento tem como objetivo debater temas relevantes para o Fórum Mundial de Ciência, que será realizado pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, em 2013. Além disso, busca identificar demandas e recomendações para compor um documento nacional.
Reconhecimento e desafios da ciência brasileira
Na abertura, o presidente da ABC, Jacob Palis, ressaltou o momento especial para o país, afirmando que a ciência brasileira tem avançado e conquistado visibilidade mundial. Segundo ele, é fundamental aproveitar esse reconhecimento para promover novos progressos.
O secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Antônio Elias, destacou a importância do investimento contínuo em educação, ciência e tecnologia. Ele enfatizou que o desafio maior é alcançar um salto de qualidade que impulsione o desenvolvimento nacional, e que o encontro contribui para esse debate.
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Luana Bononi, representante da Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG), destacou o momento de efervescência da ciência no país, mencionando iniciativas como o Programa Ciência Sem Fronteiras, a expansão das universidades e o aumento das bolsas de pós-graduação.
Panorama e desafios estruturais do Brasil
O reitor da UFMG, Clélio Campolina, abordou a crise global, as mudanças geopolíticas e os desafios brasileiros em sua palestra. Ele apresentou um panorama da economia mundial e ressaltou a dificuldade de estabelecer um novo padrão de governança global. Campolina apontou que países como China, Índia e Brasil seguem crescendo, com a produção científica como um dos indicadores desse avanço.
O reitor listou vantagens brasileiras para o desenvolvimento, como a vasta área territorial, recursos naturais, biodiversidade, população, identidade cultural, estabilidade política e avanços recentes na ciência. Contudo, destacou desafios relevantes, como a baixa escolaridade, desigualdade social, entraves burocráticos, o monolinguismo — já que a maioria dos estudantes não fala inglês — e a pouca integração entre instituições de pesquisa, comunidade científica e setor produtivo.
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Para enfrentar esses desafios, Campolina defende a reestruturação da gestão acadêmica e administrativa das universidades, a capacitação em línguas estrangeiras para brasileiros e em português para estrangeiros, além do aumento dos recursos para pesquisa. Ele concluiu afirmando que ciência, tecnologia e inovação são pilares essenciais para o desenvolvimento do país.
