Conquista histórica no US Open
Nova York (EUA) – Taylor Townsend e Katerina Siniakova registraram um feito raro ao conquistarem o título de duplas no US Open, fechando o Career Slam, que consiste em vencer os quatro principais torneios do tênis mundial. Para Siniakova, a marca é ainda mais notável, pois ela já havia completado outro Career Slam ao lado da compatriota Barbora Krejcikova, elevando seu total para 12 troféus em competições deste calibre.
A final foi disputada com intensidade. A dupla superou as americanas Ashlyn Krueger e Robin Montgomery em três sets, com parciais de 5/7, 6/0 e 6/2. Siniakova destacou o equilíbrio do duelo e a capacidade de adaptação da parceria nos momentos decisivos. “Estou muito orgulhosa da nossa equipe e de como conseguimos fazer isso. A partida foi muito equilibrada e difícil, mas encontramos uma maneira de vencer”, afirmou a tcheca.
Uma parceria que nasceu nas redes sociais
O início da parceria entre Townsend e Siniakova veio de forma inusitada, a partir de uma mensagem direta nas redes sociais. A tcheca já conhecia o estilo de jogo da americana e buscava uma parceira capaz de atuar com versatilidade na quadra. “Eu sabia que ela poderia ser uma ótima jogadora de duplas. Ela entendia o jogo, sabia jogar na rede e não tinha medo”, explicou Siniakova. Townsend, por sua vez, recebeu o convite com entusiasmo: “Quando ela me mandou a mensagem, eu já sabia quem era, porque ela era um problema para mim do outro lado. Pensei: se eu puder tê-la do meu lado, ótimo”.
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Apesar dos desafios iniciais, como uma lesão sofrida por Townsend no primeiro ano, a dupla já conquistou Wimbledon em 2024. Além da sintonia dentro da quadra, a relação entre elas se fortaleceu fora dela. “Ela é a melhor por uma razão. Aprendi muito sobre ela como pessoa. Sempre tive mais sucesso com pessoas que são minhas amigas e com quem gosto de estar dentro e fora da quadra”, disse Townsend.
Força e equilíbrio na final decisiva
Na decisão do US Open, a parceria foi fundamental para controlar a tensão do momento. Townsend contou que estava muito nervosa no início, e que Siniakova a ajudou a recuperar a calma. “Ela me ajudou a relaxar e dizia que estava tudo bem, que era normal, que era uma final e que eu encontraria meu jogo. Ter alguém ao meu lado que consegue me ajudar nesses momentos, com toda a experiência que ela tem, faz muita diferença”, relatou a americana.
Significado especial para Townsend
Para Townsend, o título no US Open tem um peso emocional extra, pois ela frequenta o torneio desde a infância e sempre sonhou em jogar ali. Em 2012, quando ainda juvenil e número 1 do mundo, precisou organizar uma arrecadação para participar da competição, que terminou com o título de duplas. “Poder voltar aqui e vencer como adulta, jogar na Arthur Ashe e levantar esse troféu é algo muito especial. Não esqueço das coisas pelas quais passei”, afirmou.
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Legado e representatividade
Siniakova, que completou o Career Slam como mãe, ressaltou o significado pessoal da conquista. Seu filho, Adyn Aubrey, nasceu em 2021. “Quero construir um legado para mim. Eu escrevia isso no meu diário aos 8 anos. Não sabia como seria e certamente não imaginava que seria sendo mãe. Mas estou fazendo história, criando um caminho diferente e mostrando às pessoas que é possível”, destacou.
Townsend também falou sobre a importância da representatividade para jovens negros no tênis, citando referências como Donald Young, que foi seu parceiro de treinos na infância, e as irmãs Williams. “Você precisa de alguém para mostrar que é possível. Se não vê isso, é mais difícil acreditar. Tenho muito orgulho de poder inspirar pessoas a pegar uma raquete e tentar algo que nunca tentaram”, declarou.
“É sobre retribuir e inspirar a próxima geração, porque nosso tempo é finito”, concluiu Townsend. Ela reforça que sua trajetória pode abrir caminhos para quem vem depois. “Se eu puder mostrar que existe outro caminho, que você não precisa ser igual aos outros e pode ser você mesmo e ainda assim ter sucesso, para mim isso já é uma vitória”.
