Novas Populações de Espécies Raras no Quadrilátero Ferrífero
Pesquisadores especializados em botânica localizaram recentemente, no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, populações de plantas consideradas extintas há mais de trinta anos. Essas descobertas ocorreram em áreas protegidas pela mineradora Vale, como parte do “Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero”, que está em andamento desde 2014 com o apoio da empresa. O achado traz à luz espécies que não eram vistas há décadas e amplia o conhecimento sobre a biodiversidade local, especialmente em um dos ecossistemas mais ricos do planeta: os campos rupestres mineiros.
Espécies Redescobertas e Seu Valor Científico
Dentre as plantas identificadas, destacam-se a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, popularmente conhecidas como “sempre-vivas” ou “chuveirinho”. Ambas são endêmicas dos campos rupestres e apresentam flores delicadas que mantêm sua aparência mesmo após a secagem. A Paepalanthus magalhaesii, descrita no início do século XX, forma pequenos tufos verdes próximos ao chão, com hastes finas que sustentam minúsculas flores arredondadas, brancas ou creme. Por décadas, acreditou-se que essa espécie havia desaparecido da natureza, até que expedições recentes em áreas protegidas como Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, nos municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto, revelaram novas populações.
A Coracoralina amoena, por sua vez, é uma das plantas mais raras do Quadrilátero Ferrífero. Adaptada a ambientes de solo fino e escassez de água, ela floresce nas rochas, produzindo pequenas flores claras que se destacam na paisagem. Essa espécie também foi considerada possivelmente extinta até as recentes redescobertas.
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Avanços na Pesquisa e Conservação
Além da redescoberta, o projeto aumentou significativamente os registros científicos sobre a distribuição dessas espécies. Cerca de 70% dos dados atuais sobre a Paepalanthus magalhaesii e 40% sobre a Coracoralina amoena foram obtidos a partir das pesquisas iniciadas em 2014. A engenheira florestal da Vale, Ana Amoroso, ressalta que o projeto não só promove a sobrevivência e reprodução dessas plantas raras, mas também serve de base para planos de conservação e manejo, além de deixar um legado científico importante.
O material coletado foi encaminhado ao laboratório da Universidade de São Paulo (USP), que integra a Rede Propagar, para o desenvolvimento de técnicas de germinação, conservação genética e futuras ações de restauração. A professora e doutora Maria Zucchi, da APTA Regional de Piracicaba, destaca que os resultados devem impulsionar estratégias inéditas para conservação e recuperação da biodiversidade local, além de fomentar o desenvolvimento sustentável das comunidades próximas. O conhecimento será compartilhado por meio de cartilhas e outras ferramentas, beneficiando pequenos produtores e viveiristas, o que contribuirá para a ampliação da produção e distribuição dessas espécies.
Áreas Protegidas e a Importância da Conservação
A Vale mantém 13 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) na região do Quadrilátero Ferrífero, que somam mais de seis mil hectares. Juntas com outras formas de proteção e servidão ambiental, a mineradora preserva cerca de 80 mil hectares, desempenhando papel fundamental na conservação de remanescentes da Mata Atlântica e do Cerrado. Essas áreas ajudam a formar corredores ecológicos e mantêm serviços ecossistêmicos essenciais, como o fornecimento de água, regulação climática e polinização, além de preservar as belezas naturais e o patrimônio histórico da região.
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Um exemplo é a reserva de Capanema, com 305 hectares entre os municípios de Ouro Preto e Santa Bárbara (MG). Essa unidade protege remanescentes de Mata Atlântica e campos rupestres, abrigando diversas espécies endêmicas e ameaçadas. Além disso, integra um corredor de conservação formado por outras RPPNs da Vale, como Horto Alegria I, II e III, Capivari I e outras unidades de conservação da região. Essas iniciativas reforçam a importância da preservação da biodiversidade e os esforços para garantir a sobrevivência das espécies únicas do Quadrilátero Ferrífero.
