Suspeita de latrocínio em Belo Horizonte
A Polícia Civil de Minas Gerais investiga uma diarista como principal suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, 75, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76. O casal foi encontrado sem vida no apartamento onde residiam, localizado no bairro São Pedro, região centro-sul de Belo Horizonte.
Imagens e evidências reforçam suspeita
Câmeras de segurança registraram a diarista entrando no prédio pela manhã, após ser contratada para a limpeza do imóvel. À tarde, ela foi flagrada saindo com duas sacolas e vestindo roupas diferentes. A polícia descobriu que a mulher descartou uma bolsa, a blusa usada ao entrar e pedaços de uma caixa de relógio em uma caçamba próxima. A roupa descartada apresentava manchas de sangue.
Detalhes do crime e investigação
O crime é tratado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte. O casal foi encontrado na tarde de terça-feira (30), porém o assassinato teria ocorrido na segunda-feira (29), entre 12h30 e 15h30. Um familiar ligou para o apartamento durante o almoço e conversou normalmente com o advogado, que recusou um convite para assistir à partida do Brasil contra o Japão na Copa do Mundo, preferindo acompanhar os serviços prestados pela diarista, que trabalhava pela primeira vez no local.
Na terça-feira, o advogado não compareceu ao escritório e familiares não conseguiram contato com o casal. O filho foi até o apartamento e encontrou os pais mortos. O cenário indicava violência extrema, com sangue espalhado e objetos revirados. O corpo de Cláudio foi achado no quarto com 17 facadas, enquanto Maria Clotilde foi encontrada na sala, atingida por sete facadas.
Roubo e fuga da suspeita
A diarista teria roubado relógios, joias e dois celulares, que foram vendidos no centro de Belo Horizonte após a fuga em um carro a poucas quadras do prédio. Os aparelhos foram recuperados pela polícia em uma caçamba em Vespasiano, na região metropolitana. Acredita-se que o comprador tenha descartado os celulares após a repercussão do crime.
Perfil da suspeita e buscas em andamento
A diarista foi indicada por um familiar do casal e trabalhava com eles há cerca de um ano. Sem antecedentes criminais, ela morava em Ribeirão das Neves, também na região metropolitana de Belo Horizonte. A polícia procura a mulher, que desapareceu levando um filho de seis anos.
O delegado Felipe Freitas, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), declarou que as autoridades investigam se a suspeita contou com ajuda para cometer o crime. A dinâmica dos assassinatos ainda está em apuração, com possibilidades de que o casal estivesse dormindo quando foram atacados ou que uma das vítimas tenha surpreendido a tentativa de roubo, motivando a violência extrema.
Além disso, a diarista teria tomado banho no apartamento e saiu vestindo roupas e óculos pertencentes à empresária. A faca usada no crime não foi localizada, possivelmente tendo sido limpa.
Contexto pessoal da diarista e legado das vítimas
As investigações revelaram que a suspeita enfrentava instabilidade emocional e dívidas com agiotas, originadas por apostas online. O advogado Cláudio Atala Inácio era formado e pós-graduado em direito empresarial pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais. Fundou em 1995 o escritório Atala Inácio & Advogados Associados, no bairro Lourdes, que atua nas áreas consultiva e contenciosa e mantém conexões com escritórios nacionais e internacionais.
Maria Clotilde, por sua vez, teve uma loja de presentes e decoração no bairro São Pedro, local onde o crime ocorreu.
