Medo de Agressões Físicas Durante a Eleição
Uma pesquisa recente realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, revela que a preocupação com a violência política ainda é uma realidade para muitos brasileiros. Segundo os dados obtidos, seis em cada dez cidadãos expressam temor de agressões físicas em razão de suas crenças políticas. A sondagem, intitulada ‘Medo do Crime e Eleições 2026: Os Gatilhos da Insegurança’, foi divulgada ontem e mostra que a atmosfera de tensão que cercou as eleições de 2022 continua presente.
No levantamento, 59,6% dos entrevistados relataram ter medo de sofrer violência por conta de suas escolhas políticas ou partidárias — uma leve diminuição em relação aos 68% registrados no ano passado. Essa redução, conforme o Fórum, indica uma acomodação em um patamar elevado de temor. O clima estabelecido durante as eleições passadas foi marcado por episódios de violência, discursos polarizadores e questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral.
A pesquisa ainda aponta que cerca de 2,2% dos entrevistados afirmaram ter vivenciado experiências de violência política nos últimos 12 meses, o que equivale a aproximadamente 3,6 milhões de brasileiros. Quando se considera o gênero, o medo de agressões motivadas politicamente é mais pronunciado entre as mulheres, que apresentam uma taxa de 65%, em comparação a 53% entre os homens. Além disso, as classes D e E demonstram uma preocupação mais intensa (64,2%) do que as classes C (58,9%) e A/B (54,9%).
Para as eleições marcadas para outubro, a pesquisa sugere que a segurança pública transcende a mera discussão e se tornou um critério que impacta diretamente a vida, o consumo e a movimentação dos eleitores. O estudo sintetiza essa situação ao afirmar que “a percepção de que certos territórios já operam sob normas próprias evidencia que a insegurança não se limita ao risco de delitos, mas abrange a sensação de viver em contextos nos quais o controle da vida local está em disputa entre o Estado e o crime”.
Leia também: Eleições 2024: Impactos da Captura de Maduro nas Narrativas Políticas Brasileiras
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Leia também: Medo de Hostilidade Política Atinge 60% dos Eleitores Brasileiros
Fonte: ocuiaba.com.br
Crime Organizado e Suas Implicações
O estudo ainda revela que 77% dos entrevistados consideram o crime organizado como um problema nacional. Esse cenário reforça a ligação entre o medo e a presença de facções e milícias. Entre os participantes com 16 anos ou mais, 41% — aproximadamente 68,7 milhões de pessoas — vivem em áreas onde há influência dessas organizações criminosas, sendo que 59,5% afirmaram evitar discussões políticas por receio de represálias.
De acordo com a pesquisa, “o crime organizado não age apenas pela força direta, mas também ao induzir ao silêncio e à autocensura, restringindo a circulação de pessoas”. Isso implica que as regras sociais se tornam controladas por grupos armados, que determinam quem pode transitar livremente em determinados lugares. Para o pleito de 2026, essa é uma questão central: a segurança pública deve ser apresentada não apenas como uma promessa de combate, mas como uma estratégia para restaurar condições básicas para que a justiça e o futuro deixem de ser moldados pela força armada.
Além disso, 96,2% da população — cerca de 160,4 milhões de pessoas — relataram temores em relação a pelo menos uma situação de violência. Os dados mostram que os medos mais comuns incluem golpes pela internet (83,2%), roubos à mão armada (82,3%) e o receio de morte durante assaltos (80,7%). Essa realidade levou 57% da população a alterar comportamentos, como a decisão de 33,5% dos entrevistados de não sair com o celular devido ao receio de assaltos, percentual que atinge 45,2% nas capitais.
As mulheres relatam índices de medo mais elevados em todas as categorias, especialmente em relação à violência sexual (82,6%). Já a população negra expressa preocupações significativas em relação à violência letal, com 80,3% temendo ser vítimas de balas perdidas e 77,4% receando assassinatos. Enquanto as classes A/B, com rendas acima de R$ 8 mil, focam nas inquietações relacionadas ao patrimônio digital, as classes D/E, com rendas de até R$ 3,5 mil, enfrentam uma insegurança física e territorial, com 85% receando roubos à mão armada e 53,4% temendo agressões em casa.
A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas presenciais com 2.004 pessoas maiores de 16 anos em 137 municípios, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%.
Investimentos em Segurança Pública
No horizonte das eleições de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá lançar um plano do governo federal voltado ao combate ao crime organizado, anunciando investimentos de R$ 11 bilhões na segurança pública. Este aporte financeiro visa asfixiar financeiramente as facções criminosas.
Este plano, reivindicado por especialistas em segurança pública desde o início do governo, se tornou um ponto fraco explorado pelos adversários de Lula em sua busca pela reeleição. O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, detalhou que o Programa Brasil Contra o Crime Organizado abrange cinco eixos prioritários: 1) asfixia financeira e logística; 2) controle do sistema prisional; 3) combate ao tráfico de armas e munições; 4) retomada e proteção de territórios; e 5) redução da impunidade.
Dos R$ 11 bilhões destinados ao combate ao crime, R$ 1 bilhão virá da União, enquanto os demais R$ 10 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que serão alocados para ações de inteligência e fiscalização nas unidades da Federação. Para acessar esses recursos, estados e o Distrito Federal precisarão formalizar adesão ao programa.
Acelerando o lançamento do programa, o Palácio do Planalto reage às recentes ameaças do governo dos Estados Unidos, que considera enquadrar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Tal classificação permitiria aos EUA realizarem ações militares contra essas facções em territórios de outros países, o que poderia transformar o Brasil em um cenário de confrontos militares.
