Vandalismo no Museu Clube da Esquina em Belo Horizonte
O Museu Clube da Esquina, situado no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo na madrugada desta sexta-feira (23). O espaço, localizado no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, é um marco para a música popular brasileira por ter sido ponto de encontro, nos anos 1960, de grandes nomes como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta, que ali criavam e produziam suas obras.
Atualmente, o local é utilizado para apresentações esporádicas de músicos vinculados ao Clube da Esquina. A fachada branca do prédio foi manchada por respingos de tinta vermelha, evidenciando o ato de vandalismo. A Polícia Civil de Minas Gerais informou ao GLOBO que está investigando a autoria e as circunstâncias da pichação, com perícia oficial já requisitada para coletar vestígios no local. Uma equipe policial realiza levantamentos para identificar e responsabilizar os envolvidos.
Repercussão e contexto histórico do Clube da Esquina
O episódio ganhou destaque nas redes sociais, onde internautas ressaltam a importância histórica e cultural do endereço para a MPB e para o Brasil. O vereador Bruno Pedralva (PT) classificou o ato como “criminoso”, destacando que o local e os artistas ligados a ele representam uma parte da resistência contra a ditadura militar. A deputada estadual eleita para a Câmara Federal, Lohanna França (PV), também manifestou sua indignação nas redes, chamando o vandalismo de “inadmissível” e um “desrespeito a um dos maiores símbolos da cultura brasileira”.
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Este ataque ocorre a apenas três dias do aniversário de Milton Nascimento, que completará 84 anos na próxima segunda-feira (26), e dois dias antes do segundo turno das eleições de 2026. Até o momento, não há informações oficiais sobre as motivações do vandalismo.
O legado do Clube da Esquina para a música brasileira
O Clube da Esquina é reconhecido por ter reunido artistas que transformaram a música nacional ao fundir elementos do rock, samba e jazz. Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e Lô Borges, um dos fundadores do grupo, criaram um movimento cultural que marcou época. Em novembro do ano passado, após o falecimento de Lô Borges, fãs se reuniram no museu para prestar homenagens, cantando seus sucessos e deixando flores.
O nome do grupo se eternizou com o álbum “Clube da Esquina”, lançado em 1972 por Lô Borges e Milton Nascimento. O disco inclui clássicos como “O Trem Azul”, “Um Girassol da cor do seu cabelo” e “Trem de Doido”, que até hoje influenciam gerações e reafirmam a importância do local e do grupo para a história da música brasileira.
