Uma Tradição que Envolve a Comunidade
Os tapetes de Páscoa, feitos a partir de materiais simples como serragem colorida, flores, areia, borra de café e cascas de ovos, estão colorindo as ruas das cidades históricas de Minas Gerais. Os desenhos elaborados representam símbolos religiosos, incluindo cálices, cruzes e passagens bíblicas que evocam a espiritualidade da época. A popularidade dessa tradição atrai visitantes de várias partes do Brasil, especialmente em Ouro Preto, onde a confecção dos tapetes se alia a uma rica programação cultural, que inclui missas, encenações religiosas e procissões.
Em Santa Luzia, os preparativos para a festividade começaram com mais de uma semana de antecedência. Segundo informações da organização local, mais de 100 pessoas se uniram para a produção dos tapetes neste ano, envolvendo moradores, grupos religiosos e voluntários. A professora Tânia Fernandes, que participa ativamente do processo, compartilha um pouco sobre a tradição: “Como a gente conhece os tapetes, eles vêm de uma herança portuguesa, que chegou nas cidades históricas e Santa Luzia acabou abraçando essa tradição na Páscoa. Nós gastamos cerca de uma semana com a serragem e a pigmentação. O pessoal frequentemente chega à rua às cinco da manhã para ajudar. Temos desde jovens da Crisma até outras pastorais que colaboram. Estimate um público de 100 a 150 pessoas trabalhando nesse dia”, relata.
Festividades na Semana Santa
A programação da Semana Santa em Santa Luzia é repleta de atividades, destacando a confecção dos tapetes durante as primeiras horas do Domingo de Páscoa. A manhã é marcada pela tradicional procissão, que percorre as ruas adornadas com os belos tapetes. “O pessoal chega na rua muitas vezes às cinco da manhã. Portanto, de cinco às nove da manhã, é garantido que haverá pessoas trabalhando. Isso significa cerca de quatro a cinco horas de trabalho, bem cedo, começando a manhã”, completa a professora Tânia.
A tradição dos tapetes de Páscoa, originada em Portugal e trazida ao Brasil durante o período colonial, é considerada patrimônio histórico imaterial em diversas cidades mineiras. Essa prática não apenas embeleza as cidades, mas também reforça o sentido de comunidade e a ligação com a cultura local. Para muitos, a confecção dos tapetes se torna um momento de união e celebração da fé.
