Investigação da PF em Foco
A prisão de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro e um dos principais operadores de sua empresa, trouxe à tona as atividades da ForGreen, uma das maiores usinas de energia solar do Brasil. As investigações da Polícia Federal agora examinam a relação da empresa com um suposto esquema de corrupção que envolve o pagamento de propinas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). De acordo com as autoridades, uma participação acionária numa das empresas do grupo foi transferida para o senador como parte do pagamento de favorecimentos.
Segundo os dados apurados, uma empresa estreitamente ligada a Ciro Nogueira, onde suas filhas e ex-mulher são sócias e seu irmão é representante, adquiriu do fundo Green Energia FIP Multiestratégia uma participação de 30% na Green Investimentos SA por R$ 1 milhão. Porém, a avaliação da Polícia Federal indica que o valor real das cotas seria em torno de R$ 13 milhões, o que sugere a possibilidade de uma vantagem econômica indevida.
Detenção e Implicações
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Fonte: odiariodorio.com.br
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Fonte: parabelem.com.br
Em abril de 2024, documentos revelaram que Felipe Vorcaro era o detentor de 77,78% da Green Investimentos, com Marcos Ribeiro e Marcelo Tavares Faria como sócios minoritários. Vale ressaltar que, por se tratar de uma sociedade anônima, as informações sobre a participação acionária não precisam ser tornadas públicas. Além disso, os três sócios mantinham uma participação igual na Green Stone Participações, que é a proprietária da BRGD SA, uma empresa também envolvida na investigação.
A PF relatou que, em três ocasiões entre abril e julho, Felipe se referiu à BRGD em mensagens enviadas a seu primo Daniel, onde mencionava pagamentos relacionados à propina. Em uma dessas conversas, Vorcaro questionou: “Oi Daniel, é para seguir com o pagamento dos 300k para o pessoal que investiu na BRGD?”. Essa troca de mensagens levanta sérias preocupações sobre a natureza das transações realizadas entre eles.
As Operações da ForGreen
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Fonte: ocuiaba.com.br
A ForGreen, que se destaca na construção e gestão de usinas de energia solar, possui diversos projetos em andamento em várias localidades. Em abril de 2024, uma análise das empresas ligadas a Felipe Vorcaro indicou que ele controlava aproximadamente 70% da ForGreen, além de estar vinculado a outras empresas como GreenPlay e EVTrip, assim como várias usinas solares situadas em Minas Gerais.
Essas usinas operam como sociedades de propósito específico (SPEs) e são financiadas mediante a emissão de debêntures, categoricamente consideradas “títulos verdes”. Esses instrumentos financeiros são utilizados para captar recursos destinados a projetos que geram benefícios ambientais. Através da venda de energia elétrica, os investidores recebem retornos financeiros, enquanto as usinas se expandem.
Estrutura Empresarial e Garantias
A coluna identificou ao menos sete emissões financeiras nas quais Felipe Vorcaro atuou como fiador da operação, o que implica que, na eventualidade de inadimplência dos investidores, seu patrimônio seria utilizado como garantia. O modelo de negócios da ForGreen é claro: o grupo possui fazendas em Minas Gerais, onde são instaladas milhares de placas solares, e a eletricidade gerada é vendida a mais de 100 clientes, incluindo a Cemig.
Em 2024, a ForGreen tinha a expectativa de alcançar uma capacidade de geração de aproximadamente 250 MW. A empresa também está associada a marcas como KBTZ Engenharia, Sustentar Energia, Horizonte Soluções Inteligentes de Energia e Elétrica Solutions, o que mostra a ampla rede de negócios e a relevância da ForGreen no setor de energia solar no Brasil.
