Alessandro Fernandes Moreira na Direção da UFMG
A Vanguarda esteve no campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, para discutir com Alessandro Fernandes Moreira, o novo reitor da instituição. Com uma trajetória de oito anos como vice-reitor, Moreira assume o comando de uma das maiores universidades federais do Brasil, que conta com mais de 3 mil professores e 53 mil alunos. Ele fundamenta sua gestão nos princípios de “Bondade, Justiça e Verdade”.
Com formação no Departamento de Engenharia Elétrica, o reitor enfrenta o desafio de dar continuidade a projetos estruturantes, ao mesmo tempo que reposiciona a universidade em um contexto complexo, influenciado pela pandemia, restrições orçamentárias e o avanço da inteligência artificial.
Prioridades da Nova Gestão
Em entrevista ao Diário do Comércio, Moreira destaca como prioridades a permanência dos alunos, a valorização das bolsas acadêmicas e a defesa do ensino público e da ciência. Ele também enfatiza a necessidade de revisar as práticas pedagógicas, promover um uso responsável da tecnologia e estabelecer diretrizes para integrar a inteligência artificial nos processos educacionais e administrativos.
Outro pilar da sua gestão será o incentivo à inovação e à transferência de conhecimento. A UFMG pretende reduzir a distância entre pesquisa e mercado, superando o conhecido “vale da morte” por meio da criação de uma “ponte para a vida”. Isso envolve uma maior aproximação com a sociedade e o fomento ao protagonismo estudantil.
Desafios Políticos e Administrativos
O novo reitor, que sempre se viu como um professor de sala de aula, reflete sobre sua trajetória na universidade e o papel da gestão. “A gestão acadêmica é feita pela comunidade universitária, composta por professores e técnicos administrativos”, afirma. Após dois mandatos ao lado da ex-reitora Sandra Goulart, ele sublinha a importância da continuidade dos projetos, mas também revela a intenção de implementar novas ações.
Reflectindo sobre os desafios impostos pela pandemia de Covid-19, Moreira menciona que a experiência impactou o relacionamento entre as pessoas e a dinâmica de formações educacionais. Ele observa que, embora a Covid-19 tenha trazido desafios, a universidade assumiu um papel crucial ao adaptar-se ao ensino online e priorizar a inclusão digital.
Ética e Protagonismo Estudantil
Moreira enfatiza que a universidade deve promover a ética e a responsabilidade social, citando o professor Virgílio Almeida como um referência sobre a importância de se discutir princípios éticos na educação. Ele reconhece que é fundamental que os estudantes se sintam responsáveis pela própria formação e destaca seu compromisso em abrir espaço para o protagonismo dos alunos.
Bondade, Justiça e Verdade na Gestão Universitária
Ao falar sobre os princípios de sua gestão, Moreira afirma que a bondade deve ser o alicerce das ações universitárias. “Formar pessoas humanas é essencial. A inclusão e a inovação também são imprescindíveis para isso”, destaca. Ele acredita que a universidade deve atender à diversidade, enfrentando preconceitos e promovendo a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade.
Além disso, o novo reitor menciona a importância da justiça no que se refere à reparação em ações educacionais e administrativas. Segundo ele, a UFMG tem se destacado como uma das principais depositantes de patentes no Brasil, e sua gestão será voltada para assegurar que esse conhecimento gere impacto social e desenvolvimento econômico.
Expansão e Inovação: Caminhos para o Futuro
A UFMG já está em negociação para expandir seu campus para Betim, uma região que apresenta demandas específicas, especialmente na área industrial. Moreira vê essa expansão como uma oportunidade de aplicação da expertise da universidade em atender as necessidades da comunidade local.
Com um orçamento sempre limitado, a nova gestão buscará eficiência e transparência nos processos de decisão. A continuidade do suporte a bolsas acadêmicas e a permanência dos alunos será prioridade, assim como o fomento à pesquisa e extensão.
Combate à Desinformação e Valorização da Ciência
Consciente dos crescentes ataques à universidade e ao conhecimento, Moreira afirma que o fortalecimento da ciência é crucial para enfrentar a desinformação e defender a relevância do trabalho acadêmico. “As universidades públicas são responsáveis por uma parte significativa da produção científica no Brasil e não podemos deixar de reconhecer seu valor”, conclui.
