Entenda o Cenário Atual da BeFly
O expressivo crescimento da BeFly, considerada um gigante do mercado de turismo, está sob a sombra do polêmico caso do Banco Master. A holding, que surgiu durante a crise do setor na pandemia, agregou 36 marcas e se destacou por um modelo de aquisições agressivo, amplamente financiado por fundos vinculados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo B10 e TT. Desde sua fundação em 2021, a BeFly, liderada por Marcelo Cohen, ex-proprietário da Belvitur, experimentou um crescimento vertiginoso, marcando seu nome no cenário turístico brasileiro.
A trajetória da BeFly começou com a aquisição da Flytour, uma das agências de turismo corporativo mais tradicionais do país, com um histórico de faturamento que ultrapassava R$ 6 bilhões, mas que enfrentava sérios problemas financeiros durante a crise global. A compra foi o início de uma série de aquisições, incluindo empresas renomadas como a Queensberry, referência em turismo de luxo, e a STB, uma liderança em intercâmbios. Naquele período, Cohen viu sua influência crescer e foi celebrado como um dos principais nomes do setor. Em entrevistas, ele chegou a projetar faturamentos superiores a R$ 10 bilhões para a BeFly em 2022.
Desafios e Disputas Judiciais
Atualmente, com a liquidação do Banco Master e investigações que resultaram na prisão de Vorcaro, a BeFly enfrenta novos desafios. Cohen está envolvido em uma disputa extrajudicial relacionada à Flytour. A aquisição da empresa, fundada por Eloi D’Avila de Oliveira, está em análise na Câmara de Arbitragem de São Paulo desde o final de 2025, após os desdobramentos do escândalo do Master.
Para os 2.300 funcionários e 8.000 clientes corporativos da BeFly, além dos milhares de passageiros mensais, a preocupação é se a holding conseguirá se desvincular das fraudes cometidas pelo banco liquidado. Em comunicado, Cohen afirmou que o Banco Master não tinha participação societária na BeFly, ressaltando que a conexão se deu apenas por meio de parcerias financeiras e linhas de crédito que auxiliaram nas aquisições realizadas entre 2021 e 2022. Ele se mostrou confiante de que a BeFly honrará seus compromissos financeiros.
Investigações e Implicações
As investigações sobre o caso Master se intensificam, examinando a origem dos recursos que sustentarão as operações da BeFly. Eloi de Oliveira, que acompanhava a situação de Portugal enquanto lidava com questões de saúde, se viu forçado a vender a Flytour, uma decisão que, segundo ele, salvou seu legado. Com uma dívida acumulada de R$ 350 milhões e uma trajetória de cinco décadas no mercado, Oliveira se mostrou emocionado ao reconhecer o apoio financeiro que recebeu durante a crise.
O impacto das investigações é significativo. Há indícios de que as aquisições realizadas por Cohen podem ser vistas como uma estratégia injusta entre concorrentes, visto que grande parte dos recursos utilizados provinha do Banco Master. Analisando a situação, executivos do setor que preferiram não se identificar mencionaram que a expansão da BeFly, impulsionada pelo capital de Vorcaro, está agora sob nova ótica. O clima tem se tornado tenso, com a expectativa de que o litígio na arbitragem traga à tona questões como ajustes de preço e a validade das garantias oferecidas por fundos agora sob suspeita.
O Legado de uma Crise
O texto publicado no site da Titan, empresa do grupo Vorcaro, descreve a BeFly como um exemplo de sucesso durante a crise da pandemia, destacando como Cohen utilizou o apoio do Banco Master para capitalizar a Belvitur e adquirir agências em dificuldades. Os dados demonstram que, enquanto muitos no setor lutavam para sobreviver, Cohen absorveu uma fatia significativa do mercado.
Entretanto, a Operação Compliance Zero, que resultou em investigações sobre fraude e irregularidades financeiras envolvendo Vorcaro, trouxe à tona novos desafios para a BeFly. A estrutura complexa de fundos, incluindo o B10, está sob escrutínio, refletindo a relação profundamente entrelaçada entre os negócios de Cohen e os fundos que agora enfrentam graves acusações.
Conclusão: O Futuro da BeFly
À medida que a BeFly navega por esses desafios, as incertezas sobre seu futuro permanecem. Cohen, que sempre se mostrou otimista em suas estratégias, agora precisa enfrentar uma nova realidade. O impacto do escândalo do Banco Master não apenas coloca em risco a reputação da BeFly, mas também a confiança de seus colaboradores e clientes. O desenrolar das investigações e a resolução da disputa com a Flytour serão cruciais para determinar o futuro desta gigante do turismo.
