Aumento de Casos de Doenças Respiratórias
Recentemente, as unidades de saúde de Belo Horizonte têm enfrentado uma verdadeira crise. Filas imensas e pacientes aguardando por atendimento são cenas comuns, especialmente em centros de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A situação se agravou desde que a prefeitura declarou emergência em saúde pública, no dia 10 de abril, devido a um surto de doenças respiratórias. Uma enfermeira, que preferiu manter o anonimato por receio de represálias, relatou o caos enfrentado no dia a dia das unidades.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, entre fevereiro e março, quase 50 mil pessoas procuraram atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) com sintomas típicos de doenças respiratórias, como tosse, congestão nasal, febre e dor de garganta. Além disso, mais de 80 vidas foram perdidas neste ano em decorrência da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme informações do Executivo municipal, revelando a gravidade da situação.
Baixos Índices de Vacinação Preocupam Especialistas
Chama a atenção o baixo índice de vacinação na população de Belo Horizonte contra a gripe e a covid-19. Até o início de abril, apenas 14% dos idosos e 4% das crianças tinham recebido a vacina contra o vírus Influenza. A psicóloga e presidenta do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais, Lourdes Machado, alertou sobre a vulnerabilidade dos grupos mais afetados. ‘Diante desse cenário, estamos em uma campanha ampla pela vacinação contra a gripe. A adesão, especialmente entre crianças, tem sido baixa’, afirmou.
A Prefeitura tem buscado intensificar a vacinação, com ações específicas para os grupos de risco. Um exemplo disso foi o “Dia D” da vacinação contra a gripe, realizado em parceria com o Conselho Municipal de Saúde, que mobilizou 153 centros de saúde em Belo Horizonte.
Reconhecimento da Situação de Emergência é Crucial
Trabalhadores da saúde e usuários do SUS já estavam pedindo por mais reconhecimento da crise que atingiu o sistema público de saúde. O vereador e médico do SUS, Bruno Pedralva, foi um dos que pressionou a administração municipal para a decretação do estado de emergência. ‘A medida é fundamental para mobilizar a sociedade e garantir mais profissionais na saúde’, ressaltou Pedralva.
Com o decreto, a prefeitura ganhou a autorização para reforçar a assistência do SUS, possibilitando a contratação de novos profissionais e a ampliação do acesso a recursos estaduais e federais. A situação de emergência também facilitará a extensão do horário de funcionamento das unidades de saúde, além de agilizar a compra de medicamentos e insumos essenciais.
Críticas ao Subfinanciamento da Saúde
A presidenta do CES-MG, Lourdes Machado, destacou que, embora as medidas emergenciais sejam necessárias, elas não substituem ações estruturais. ‘Os surtos de doenças respiratórias são frequentes e já conhecidos. Precisamos de uma abordagem que vá além da emergência, pois a falta de investimento na saúde impacta diretamente a capacidade de resposta do SUS’, ponderou.
A saúde pública de Belo Horizonte também enfrenta uma crise financeira há algum tempo, com dificuldade nos repasses e projeções de déficit alarmantes. Para o ano de 2025, a administração municipal estimou um déficit de R$ 400 milhões, e rumores indicam que o orçamento da saúde pode sofrer uma redução de 4%, o que correspondia a cerca de R$ 329 milhões em cortes.
Ações Necessárias para Enfrentar o Surto
Para lidar com este cenário crítico, o vereador Pedralva enfatiza a importância de ações coletivas. ‘Estamos fazendo nossa parte na linha de frente, mas a população também precisa agir. A vacinação é essencial. Se estiver gripado, utilize álcool em gel e máscaras. Caso tenha sintomas respiratórios, faça uma teleconsulta pelo SUS antes de visitar um posto de saúde’, orientou o parlamentar.
Com as medidas adequadas e a colaboração da população, é possível enfrentar com mais eficácia o surto de doenças respiratórias e, assim, minimizar o impacto na saúde pública de Belo Horizonte.
