Modelos Cooperativistas em Ação
O cooperativismo de crédito tem se mostrado fundamental para pequenos empreendedores no Brasil, atuando decisivamente na democratização do acesso ao capital. Um exemplo claro é o de Samuel Paulo, proprietário da Duo Barbearia, localizada na região Oeste de Belo Horizonte. Natural da Zona da Mata mineira, Samuel chegou à capital há uma década em busca de novas oportunidades. Após trabalhar em diversas barbearias, em 2021, decidiu abrir seu próprio negócio, mas encontrou dificuldades para obter crédito necessário para reformar e estruturar o espaço.
O ponto de virada ocorreu quando conheceu o modelo cooperativista através de um cliente que era gerente do Sicredi. “Comecei do zero. Minha família sempre trabalhou na roça e tinha uma renda muito baixa. A equipe da cooperativa conheceu o meu projeto e liberou o crédito que precisava para iniciar as reformas como desejava. Sem esse empréstimo, nada disso seria possível”, compartilha Samuel. Atualmente, ele utiliza os serviços do Sicredi tanto para sua conta pessoal quanto para suas demandas empresariais.
Além disso, ele destaca o retorno financeiro que a cooperativa proporciona: “Todo ano, uma parte do lucro retorna para nós. Receber esse retorno já é significativo”. Com uma equipe formada por oito profissionais, Samuel agora planeja abrir uma nova unidade, contando novamente com o apoio do cooperativismo. “Pretendo solicitar crédito ao Sicredi novamente. Inclusive já fiz uma simulação”, conclui.
Expansão do Sicredi em Minas Gerais
O Sicredi, mencionado por Samuel, é uma das principais instituições cooperativas em Minas Gerais. Recentemente, a cooperativa anunciou um novo ciclo de expansão, prevendo a abertura de 43 agências em 21 municípios até 2026. Essa expansão segue o ritmo de crescimento observado em 2025, que terminou com 289 unidades em 262 cidades mineiras e 562 mil associados. Nos últimos três anos, mais de 110 novas unidades foram inauguradas, representando 30,7% do território estadual.
No Brasil, o Sicredi já conta com 10 milhões de associados e administra cerca de R$ 500 bilhões em ativos. Leandro Gindri de Lima, diretor-executivo da Central Sicredi Sul/Sudeste, destaca a acessibilidade da associação: “Para se tornar sócio, a pessoa precisa aportá um capital social de apenas R$ 20 na abertura da conta”, explica. Esse valor é vinculado à cota capital, que cresce com a participação nos lucros e pode ser resgatado na aposentadoria ou no encerramento da conta.
Como uma cooperativa de livre admissão, o Sicredi atende tanto pessoas físicas quanto empresas de todos os tamanhos. Leandro ressalta o modelo de segurança que a cooperativa oferece: “Trabalhamos em um regime solidário, o que permite que uma cooperativa apoie a outra, evitando fechamentos. É raro ouvir sobre uma cooperativa Sicredi indo à falência”, afirma. Ele também reforça que a instituição prioriza investimentos de baixo risco e taxas competitivas, reinvestindo os recursos nas comunidades locais.
Sicoob: Líder no Cooperativismo Mineiro
O Sicoob destaca-se no cooperativismo em Minas Gerais e apresenta dados impressionantes. Até dezembro de 2025, a instituição contou com 2,8 milhões de cooperados e 1.491 agências, movimentando R$ 116,2 bilhões em ativos, além de R$ 54 bilhões em operações de crédito. Em uma visão nacional, até setembro de 2025, o Sicoob alcançou R$ 417,5 bilhões em ativos, com um crescimento médio anual de 23% nos últimos cinco anos, superando o índice de 11% do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Luiz Gonzaga Viana Lage, presidente do conselho de administração do Sicoob Central Cecremge, ressalta que a força da cooperativa está em seu suporte aos pequenos negócios e ao agronegócio. “O Sicoob se estabelece como o principal agente financeiro para micro e pequenas empresas em Minas, além de ser um dos principais financiadores de crédito rural no estado. Essa atuação amplia o acesso ao crédito e fortalece cadeias produtivas, impulsionando o desenvolvimento regional”, destaca.
Crescimento da Cresol em Minas Gerais
A Cresol também está expandindo suas operações em Minas Gerais, com foco em municípios de pequeno e médio porte. Atualmente, a cooperativa conta com 45,6 mil cooperados, 57 agências (sendo 10 abertas em 2025) e R$ 2 bilhões em ativos, com uma carteira de crédito de R$ 1,7 bilhão. Em âmbito nacional, a Cresol alcançou 1 milhão de associados até 2025, com R$ 53 bilhões em ativos totais e um crescimento médio de 30% nos últimos sete anos.
Adriano Michelon, vice-presidente da Cresol, menciona que a estratégia da rede prioriza a proximidade com os cooperados. “Estamos focando no interior, evitando grandes centros. Nossa identidade é voltada para pequenos e médios municípios”, detalha. A cooperativa, também de livre admissão, requer um aporte inicial de R$ 100 de capital social. “Aceitamos diversos setores, tanto agrícola quanto urbano, sem restrições”, afirma. Para 2026, a Cresol planeja abrir pelo menos 10 novas unidades em Minas Gerais. “Estamos confiantes de que o crescimento cooperativo continuará na faixa de 25% ao ano em volume”, antecipa Michelon.
