O papel do Cine Theatro Brasil na cultura de Belo Horizonte
O Cine Theatro Brasil, um ícone da arquitetura e da memória cultural de Belo Horizonte, celebra 94 anos com um projeto de renovação e ampliação de suas atividades. Sob a direção de Eliane Parreiras, a casa não apenas diversifica sua programação artística, mas também se empenha em fortalecer sua presença no espaço público. Isso inclui a formação de um público mais engajado, a busca por sustentabilidade financeira e o fortalecimento de parcerias com a iniciativa privada. Este movimento está em perfeita sintonia com a revitalização do Centro de Belo Horizonte, onde o Cine Theatro aposta em uma ocupação diversificada e na integração com outros agentes culturais da Praça Sete, buscando um modelo que una acesso, gestão profissional e impacto econômico.
Em uma entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, Eliane Parreiras compartilha sua visão sobre o futuro do Cine Brasil e seu papel na cultura local. “Este espaço é lindíssimo e o primeiro edifício em art déco da cidade. Cuidar dele é uma responsabilidade imensa, já que é um bem tombado e um patrimônio cultural essencial”, afirma a gestora.
Um patrimônio cultural com múltiplas dimensões
O Cine Brasil possui diversas facetas que o tornam um patrimônio cultural valioso. Além de sua importância arquitetônica e estética, o edifício foi pioneiro na cidade e, por muitos anos, foi um dos mais altos de Belo Horizonte. Outra característica única é a forma como ele utiliza um terreno em formato de leque, pensado para se integrar ao cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena.
Foi o maior cinema do Brasil e um dos maiores da América Latina, sendo também um centro comercial. Além disso, gerações inteiras foram formadas ali, como destacou Parreiras, lembrando que na década de 1950 havia um restaurante popular inaugurado por Juscelino Kubitschek. O fechamento das atividades de cinema em 1999 foi um duro golpe para muitos, mas a Fundação Sidertube, ligada à Vallourec, ressuscitou o espaço em 2006, realizando uma restauração significativa, devolvendo-o à cidade em sua forma original.
Cine Brasil: um espaço de integração cultural
A importância do Cine Theatro para a cidade e para a Praça Sete é inegável. “É um tesouro que mantém um diálogo constante com o público da região central e fortalece os movimentos culturais locais”, acrescenta Parreiras. O programa P7 Instrumental, voltado para a música instrumental, e o Quarteirão das Artes são exemplos de iniciativas que dialogam com outras instituições culturais e movimentos da área. Segundo a gestora, a revitalização do Cine Brasil se insere em um momento especial de conexão com o público e com os movimentos culturais.
Gestão cultural e o papel do setor privado
Eliane Parreiras, com 30 anos de experiência em gestão cultural, tanto no setor público quanto no privado, destaca a necessidade da profissionalização na área cultural. “É fundamental que haja um diálogo entre as instituições e o setor privado, que pode trazer investimentos e expertise em gestão”, explica. A sustentabilidade financeira do Cine Brasil depende da geração de receita por meio de uma política de ocupação plena dos espaços. Parreiras ressalta que é crucial evitar preços exorbitantes que poderiam afastar o público.
Outro aspecto mencionado por ela é o uso das leis de incentivo à cultura, que não apenas fortalecem a produção artística, mas também ajudam a democratizar o acesso ao que é produzido. “Estamos em um momento crucial, discutindo como as reformas tributárias podem impactar o setor cultural, já que a dependência das leis de incentivo é muito alta”, acrescenta.
A produção local e o impacto do Cine Brasil
O Teatro de Câmara, parte do Cine Brasil, tem um papel fundamental na programação e fortalecimento da produção local. O espaço é frequentemente utilizado para grandes eventos, como a Mostra Cine BH, mostrando a vitalidade da produção artística na capital. Parreiras destaca que a produção brasileira, incluindo a de Belo Horizonte, está em uma fase promissora, com iniciativas que visam a internacionalização. Além disso, programas como o BH nas Telas e o Belo Horizonte Film Commission têm contribuído significativamente para o desenvolvimento do setor audiovisual na cidade.
Compromisso com a sustentabilidade
A Associação Cine Theatro Brasil tem como missão promover a sustentabilidade em suas operações. “Estamos comprometidos com soluções que garantam não apenas a sustentabilidade financeira, mas também a responsabilidade ambiental e social”, conclui Parreiras. A gestão do Cine Brasil busca um planejamento estratégico que considere as dimensões necessárias para garantir um futuro promissor para o espaço.
