Reflexão sobre a maternidade além do ideal
O espetáculo Água Viva chega a Belo Horizonte com uma proposta que vai além da imagem tradicional da maternidade como amor e realização. Em sessões nos dias 6, 7 e 8 de novembro, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium, a peça dirigida por Cynthia Falabella e Cláudia Assunção aborda sentimentos reais que muitas mulheres enfrentam, mas raramente são expostos, como o esgotamento emocional, a culpa, a solidão e a perda da identidade própria.
Explorando histórias e pressões sociais
O enredo acompanha duas mulheres em trajetórias distintas, provocando uma reflexão sobre as transformações que a maternidade impõe. Entre renúncias e expectativas, a narrativa questiona as pressões sociais em torno do papel materno, abrindo espaço para discutir as contradições dessa experiência muitas vezes retratada somente por seu lado positivo.
A peça dialoga diretamente com o movimento de desromantização da maternidade, fortalecido nas redes sociais por relatos sinceros de mulheres sobre cansaço e sobrecarga emocional. Essa discussão ganha corpo a partir das experiências pessoais das atrizes e entrevistas com outras mulheres, reunidas ao longo do processo criativo.
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Dados que reforçam o debate
Pesquisas recentes reforçam a importância do tema. Um levantamento de 2024 feito pelas plataformas B2Mamy e Kiddle Pass, com cerca de 2 mil mães brasileiras, mostrou que 86% delas enfrentam algum nível de esgotamento mental relacionado à maternidade. Além disso, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que aproximadamente 25% das mulheres no Brasil sofrem de depressão pós-parto entre seis e 18 meses após o nascimento do filho.
Da experiência pessoal ao palco
Água Viva foi criada a partir do encontro das atrizes Isabella Lealy e Raquel Carneiro com a diretora Cynthia Falabella durante oficinas em Belo Horizonte. A pergunta central “o que te atravessa nesse momento?” impulsionou um processo de escuta que gerou a dramaturgia da peça.
As histórias pessoais das intérpretes foram transformadas em cenas por meio de exercícios, improvisações e relatos, conectando experiências individuais a questões coletivas. A equipe, predominantemente feminina, inclui Sara Pinheiro na dramaturgia, Yara Tanure e Paula Hart na trilha sonora, Camila Félix na direção de movimento e Anna Amantino na assistência de direção.
A presença da água no espetáculo simboliza vida, fluxo e recomeço. A imagem da água-viva inspira a dualidade da peça, que mistura delicadeza e intensidade, dor e transformação.
