Uma Reflexão sobre o Imaginário das Bruxas no Cinema
Desde sempre, a imagem da bruxa tem despertado tanto temor quanto fascínio, revelando-se uma figura rica e multifacetada na história do audiovisual. É com essa perspectiva que, a partir desta sexta-feira (24), Belo Horizonte sedia a terceira edição da mostra “Mulheres Mágicas: Reinvenções da Bruxa no Cinema”. O evento, que ocorrerá também no dia 1º de maio, acontece das 18h às 21h e, o melhor, com entrada gratuita.
A mostra será realizada no Cine Cardume Rodoviária, um espaço cultural localizado no mezanino da Rodoviária da capital mineira. A programação conta com dez curtas-metragens que exploram diferentes épocas e estilos, permitindo uma discussão sobre como o cinema moldou o imaginário coletivo em torno da figura das bruxas.
Do Clássico ao Contemporâneo: Temáticas em Diálogo
Com curadoria das pesquisadoras Carla Italiano e Juliana Gusman, a mostra está dividida em dois eixos temáticos que promovem um diálogo entre tradição e inovação. O primeiro eixo, intitulado “A bruxa através dos tempos: imagens clássicas”, revisita arquétipos que deixaram marcas indeléveis na história do cinema, indo da vilã dos contos de fadas às figuras associadas à sedução e a perseguições históricas. Já o segundo eixo, chamado “Bruxas contemporâneas: corpos indomáveis, saberes ancestrais”, foca em produções recentes que expandem o conceito de “mulheres mágicas” e trazem à tona narrativas de sujeitos historicamente marginalizados.
“Esse segundo eixo se concentra em personagens que representam os conflitos da atualidade, ampliando a noção de poder e magia para além dos estereótipos”, observa Carla Italiano, enfatizando a relevância dessas narrativas no contexto atual.
Clássicos e Novidades do Cinema
Entre os destaques dessa edição, estão obras fundamentais que marcaram o início do cinema, como “A fada do repolho” (1896), da diretora Alice Guy, e “O Reino das Fadas” (1903), de Georges Méliès. Esses filmes não apenas ajudaram a moldar o imaginário fantástico nas telonas, mas também se tornaram referência para futuras produções.
A programação em Belo Horizonte também inclui produções locais e recentes que dialogam com o rico cenário audiovisual mineiro. Exemplos disso são “O Lado de Fora Fica Aqui Dentro” (2024), de Larissa Barbosa, que revisita a memória de Maria Papuda, uma figura histórica transformada em lenda urbana na cidade, e a animação “Deia e Dete” (2025), dirigida por Bruna Schelb e Francis Frank, que aborda aspectos das relações familiares e tradições mineiras.
Uma Trajetória de Diversidade e Inclusão
Juliana Gusman destaca que a seleção de filmes funciona como uma síntese da trajetória da mostra, que já circula pelo país há quatro anos. “Reunimos títulos que marcaram edições anteriores, reativando debates importantes, e também trouxemos novos filmes que dialogam com o território onde estamos exibindo”, explica.
A diversidade é um dos pilares do projeto, com a programação apresentando obras de diretoras de diferentes origens e também de pessoas trans e não-binárias. Os filmes apresentam uma variedade de formatos narrativos, incluindo trabalhos experimentais, como “Transformações” (1976), de Barbara Hirschfeld, que retrata um grupo de “ecobruxas”.
Além das sessões gerais, a mostra também contará com exibições voltadas para o público infantil. No dia 1º de maio, a sessão das 20h será especialmente acessível, contando com recursos para inclusão, e será seguida por um debate com as curadoras, com intérprete de Libras.
Após Belo Horizonte, o projeto continuará sua itinerância por Minas Gerais entre maio e junho, com exibições agendadas para cidades como Uberlândia, Araçuaí e Montes Claros, marcando a primeira expansão da iniciativa para além dos grandes centros urbanos.
