O cenário crítico das doenças respiratórias em MG
Recentemente, oito municípios de Minas Gerais, incluindo Araguari, Belo Horizonte, Caratinga, Contagem, Diamantina, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves e Unaí, declararam situação de emergência em saúde. Essa decisão foi motivada pelo alarmante aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, conforme as informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Até o momento, mais de 350 pessoas perderam a vida devido a doenças respiratórias no estado, sendo 98 delas na capital mineira, Belo Horizonte.
A cidade de Belo Horizonte, que decretou a emergência no dia 10, registrou um total impressionante de 1.485 casos de SRAG somente neste ano. Em resposta ao surto, cerca de 112 mil atendimentos foram feitos nas 153 unidades de saúde e nas nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade, onde a demanda aumentou significativamente.
Reação nas cidades da Grande BH
Na Região Metropolitana, Ribeirão das Neves também se uniu ao estado de emergência na última sexta-feira (17), contabilizando 167 casos e oito mortes em decorrência de doenças respiratórias. Além disso, Contagem e Pedro Leopoldo adotaram medidas similares em resposta ao aumento da incidência de SRAG. Contagem, que registrou 387 casos e 23 óbitos, declarou o estado de emergência no dia 7, enquanto Pedro Leopoldo, com 21 casos e duas mortes, fez o mesmo na terça-feira (14).
Os dados das cidades impactadas apresentam os seguintes números de casos e óbitos: Araguari reportou 33 casos e cinco mortes; Caratinga teve oito casos, sem óbitos; Diamantina registrou 32 casos, sem mortes; e Unaí apresentou 34 casos e uma morte. O total de municípios que enfrentam essa situação alarmante no estado subiu para oito, refletindo um cenário epidemiológico preocupante.
Monitoramento e Responsividade da Saúde Pública
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) está atenta à situação, monitorando as condições de saúde desses municípios e outros lugares que possam apresentar agravamento. Desde março, a Sala de Monitoramento dos Vírus Respiratórios está em operação, acompanhando em tempo real os dados de casos, internações e óbitos em Minas Gerais. Essa estratégia é fundamental para permitir decisões rápidas, como a abertura de novos leitos e a reorganização da rede assistencial em resposta à demanda crescente.
Abertura de Leitos e Prevenção por Vacinação
Para lidar com a alta demanda, foi anunciada a abertura de 12 leitos semi-intensivos no Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte. Este hospital é uma referência no atendimento pediátrico e já observou um aumento de 40% nas internações. A vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção contra casos graves de SRAG. Além da vacina contra a influenza, o calendário vacinal inclui imunizações contra a covid-19, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
A secretaria de saúde também implementou novas estratégias, como a vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório e a utilização do anticorpo monoclonal nirsevimabe para crianças em maior risco. As vacinas estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde em todo o estado. É essencial que a população consulte os postos para verificar a disponibilidade e o calendário de vacinação local.
Entendendo a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
A SRAG, como é conhecida, é uma infecção respiratória severa que causa dificuldade para respirar e lesões nos alvéolos pulmonares, comprometendo a oxigenação do sangue. Essa condição pode ser desencadeada por diversos vírus, como o da covid-19, além dos vírus da gripe (Influenza A e B) e o vírus sincicial respiratório, que é especialmente perigoso para crianças e idosos.
Os sintomas mais comuns da SRAG incluem tosse, falta de ar, febre e, em casos mais graves, pode levar a complicações sérias que exigem atenção médica imediata. Por isso, é crucial que a população esteja atenta aos sinais e busque assistência médica ao perceber qualquer agravamento no quadro respiratório.
