Audiência Pública Reúne Comunidade para Debater Mudanças na Educação
A recente proposta de transformação de escolas estaduais em unidades do Colégio Tiradentes gerou uma onda de preocupações entre alunos, professores e pais. Em uma audiência realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quarta-feira (15/4/26), a deputada Beatriz Cerqueira (PT) destacou que a reunião se originou de um “susto” causado pelo anúncio do então governador Romeu Zema (Novo).
O encontro contou com a presença de alunos e educadores de instituições localizadas em Leopoldina, Muriaé e Coronel Fabriciano, todas com uma longa trajetória na oferta de educação integral. A inquietação da comunidade se concentra na possibilidade de extinção de três dessas escolas, que já possuem cerca de 50 anos de história.
Falta de Diálogo e Informação Oficial
O vice-diretor da Escola Sebastião Silva Coutinho, Matheus Rossi Paiva, expressou sua indignação ao relatar que a única comunicação sobre a intenção de converter a escola em uma unidade do Colégio Tiradentes veio de uma publicação no site da Secretaria de Estado de Educação (SEE), em 1º de abril. “Não houve escuta, não houve diálogo conosco”, lamentou Paiva, que defende o valor histórico e educacional da instituição, que conta com mais de 200 alunos e oferece cursos técnicos integrados.
Outro relato impactante veio da Escola Padre Maximino Benassati, onde a docente Nubia de Souza afirmou que a descoberta da proposta foi feita através da mídia local. “Nossa instituição, com 336 alunos, é um pilar para a comunidade, mas estamos na incerteza por conta dessa situação”, desabafou.
Reações da Comunidade e Preocupações com as Mudanças
A situação se tornou ainda mais alarmante com a movimentação de policiais em torno da Escola Alberto Giovannini, gerando insegurança entre os alunos e moradores locais. O professor Aganoel Cavalcante lembrou que a mudança de planos do Executivo pegou todos de surpresa, intensificando a angústia da comunidade escolar.
Jaqueline Bandeira, mãe de um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA), também se manifestou. Ela elogiou a dedicação dos professores e questionou a necessidade de apagar uma história de 62 anos. “Meu filho chegou em casa chorando, com medo. Como podemos ficar tranquilos nessa situação?”, indagou a mãe preocupada com o futuro da educação inclusiva oferecida pela escola.
Desmistificando as Diferenças entre Colégios Tiradentes e Escolas Cívico-Militares
A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Sandra Lúcia Couto Bittercourt, defendeu que outras localidades poderiam ser consideradas para a instalação das unidades do Colégio Tiradentes. Embora reconheça a importância das escolas militares, pediu que as instituições tradicionais não sejam fechadas.
Beatriz Cerqueira esclareceu que existem diferenças significativas entre os Colégios Tiradentes e as escolas cívico-militares. “Não se pode transformar uma escola na outra”, disse. As regras que regem as duas modalidades de ensino são distintas, além de apresentarem orçamentos diversos.
Expectativa e Planejamento para o Futuro
A deputada ressalta que, enquanto os colégios Tiradentes foram criados para atender a demanda da Política Militar, as escolas cívico-militares ainda enfrentam questões legais que impedem sua implementação no estado. Durante a audiência, Beatriz criticou informações confusas e campanhas que, segundo ela, têm gerado desinformação entre a população.
O deputado Betão (PT) mencionou que Minas Gerais atualmente conta com 30 unidades do Colégio Tiradentes e que o governo planeja expandir esse número para 60. “Muitas pessoas acreditam que essas escolas funcionarão com um padrão militar federal, mas isso não é verdade, nem orçamento existe para tal”, alertou.
Lucas Nicolau, assessor de Relações Institucionais da SEE, não confirmou como as novas unidades do Tiradentes seriam implementadas, mas se comprometeu a levar em consideração os relatos e preocupações levantadas na audiência. Beatriz Cerqueira anunciou que buscará uma audiência formal para evitar a transformação das escolas em unidades do colégio militar, além de solicitar que o Executivo apresente um planejamento claro sobre essa ampliação.
