Memórias de Alexandre Kalil sobre Ronaldinho Gaúcho
A trajetória de Ronaldinho Gaúcho no Atlético Mineiro é, sem dúvida, uma das mais marcantes da história recente do clube. De 2012 a 2014, o craque não apenas ajudou a conquistar títulos importantes, mas também deixou uma marca indelével no ambiente do clube. Alexandre Kalil, que na época era o presidente do Atlético, recentemente recordou, em entrevista ao canal HGplay, os episódios que cercaram aquele período, revelando detalhes que ajudam a compreender a singularidade do jogador.
De acordo com Kalil, o comportamento de Ronaldinho variava significativamente durante os treinos, especialmente nas atividades físicas sem a bola. Essa diferença de atitude se tornava evidente nas rotinas de preparação, contrastando com a dedicação que o jogador demonstrava durante os momentos técnicos com a bola nos pés.
Contraste nos Treinos: O Comportamento de Ronaldinho
“O Ronaldinho não é desse mundo! Nem para jogar bola e nem para não gostar de concentrar… Se você quisesse ver o Ronaldinho sentir a coxa, era só falar que tinha um treino sem bola. ‘Ah, hoje é musculação’. ‘Ah, mas eu estou com uma dor na coxa, eu não quero’. Agora, com a bola, você tinha que arrastar ele para fora do campo. Isso eu vi várias vezes”, relatou Kalil, explicando como o jogador demonstrava um comportamento mais seletivo em relação a atividades que não envolviam sua verdadeira paixão: o futebol.
Apesar dessa postura pouco convencional em relação a algumas práticas de treinamento, o desempenho técnico de Ronaldinho compensava amplamente qualquer limitação. Kalil exemplificou essa situação ao dizer que, quando se tratava de praticar faltas, Ronaldinho frequentemente insistia em continuar, mesmo que isso gerasse desgaste em sua preparação física.
A Magia nas Faltas e a Precisão Fora do Comum
“Estou dando um exemplo, porque já tem tantos anos. É bola? ‘Vou bater falta’. Chegava na 25ª falta, e o Victor já tinha tomado 25 gols com barreira de fora da área. O Carlinhos Neves, preparador físico, ia lá fora: ‘Você vai machucar, uai. Já trocou três goleiros e você não para de bater falta’. Ele é assim, era assim no Atlético”, contou Kalil, destacando a incrível propensão do jogador para realizar cobranças de falta com precisão.
Os relatos de Kalil não param por aí. Ele também recordou um dia específico em que ficou impressionado com a destreza de Ronaldinho durante os treinos. “Estávamos eu e Maluf um dia, e eu comecei a contar. Falei: ‘Não, isso é impossível’. Ele acertou, pela vida dos meus filhos, 12 faltas seguidas no Victor. É impressionante. Isso é um negócio impressionante. Bola ele joga igual meu neto: se não tirar ele da bola, ele fica chutando bola”, finalizou.
A Influência de Ronaldinho no Atlético-MG
A passagem de Ronaldinho pelo Atlético não pode ser medida apenas por seus números ou pelos títulos levantados. Sua presença elevou o nível competitivo do time e impactou significativamente a confiança de um elenco que passou a se ver como protagonista no cenário do futebol brasileiro. Os relatos dos bastidores evidenciam que a relação do jogador com o futebol era diferente, desafiando as normas convencionais de preparação, mas entregando um nível de performance dentro de campo que foi inigualável.
Assim, a história de Ronaldinho no Atlético-MG tornou-se uma narrativa que vai além dos dados estatísticos. Ela reflete um momento mágico na história do clube, onde a habilidade e a personalidade de um dos maiores jogadores do futebol mundial deixaram uma herança que será difícil de repetir.
