Operação Compliance Zero em Foco
No cerne de uma investigação que tem desdobrados impactos no cenário político e econômico brasileiro, o pastor Fabiano Zettel, conhecido por ter doado R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, se tornou um dos principais alvos da terceira fase da operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal. A ação, que culminou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ocorreu nesta quarta-feira (4) e inclui um total de quatro mandados de prisão preventiva e 15 ordens de busca e apreensão.
Até às 7h40, a PF ainda não havia conseguido localizar Zettel em Belo Horizonte, conforme informações apuradas pela Revista Fórum. Vorcaro, por sua vez, já se encontra preso na Superintendência da PF em São Paulo. Outros dois alvos de mandados de prisão foram identificados, mas seus nomes ainda não foram divulgados. A decisão para a operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, que no dia anterior havia liberado o banqueiro de comparecer à CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional.
A PF revelou em nota que a operação também incluiu ordens de afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens, totalizando até R$ 22 bilhões. O objetivo é interromper a movimentação de ativos suspeitos e preservar valores relacionados a práticas ilícitas que estão sendo investigadas.
O Escândalo na Faria Lima
A noite de 17 de novembro de 2025 marcou um ponto de virada na história financeira recente do Brasil. O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jato particular para o exterior, dentro do contexto da Operação Compliance Zero. As investigações visam fraudes bilionárias envolvendo a emissão de ativos financeiros pelo Banco Master.
A detenção de Vorcaro foi um precursor do decreto de liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, emitido na manhã seguinte, 18 de novembro de 2025. Essa medida interrompeu a negociação de venda do banco, que estava em vias de ser adquirido pelo Banco de Brasília, dirigido pelo governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB). O resultado imediato foi a revelação de um rombo estimado em dezenas de bilhões de reais no sistema financeiro nacional.
O escândalo se intensificou com a suspeita de que o Banco Master teria criado carteiras de crédito fictícias e títulos sem lastro, atraindo recursos de fundos de pensão e financeiros públicos, aumentando o risco sistêmico em um cenário já criticado pela falta de fiscalização adequada.
Consequências e Ampliação da Investigação
A operação Compliance Zero, nome que reflete a violação de princípios básicos de governança e controle, resultou em uma série de mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. Durante essas ações, foram apreendidos celulares e documentos de executivos e sócios, que se tornaram fundamentais para as investigações. O material coletado passou a ser central no debate judicial e político em Brasília.
O escopo da investigação se ampliou em 14 de janeiro de 2026, quando o Supremo Tribunal Federal autorizou uma segunda fase da Operação Compliance Zero. Essa nova fase trouxe bloqueios e sequestros de bens em várias partes do Brasil, aprofundando a apuração das irregularidades suspeitas que envolvem o Banco Master e seus diretores, incluindo novas revelações sobre o impacto desses crimes no sistema financeiro e a relação com figuras políticas proeminentes.
