Crescimento das Empreendedoras em Piracicaba
Em Piracicaba, interior de São Paulo, as mulheres se destacam como protagonistas no empreendedorismo, representando 46,4% dos microempreendedores individuais (MEIs) da região. Um estudo recente revelou que, dos 118.723 MEIs registrados nos 15 municípios da área, 63.625 pertencem a homens, correspondendo a 53,6%. Entre essas empreendedoras, Alessandra Aparecida Maciel se destaca, atuando no setor de manutenção de pistões e cilindros. ‘Não estamos em uma competição, buscamos apenas igualdade’, afirma Alessandra, reforçando a luta por mais espaço e reconhecimento feminino no mercado.
A importância do MEI não pode ser subestimada. Esse modelo de negócio é considerado a forma mais simples para abrir uma empresa, não permitindo sócios e limitando a um empregado, além de ter um teto de faturamento anual de R$ 81 mil. Segundo dados do Sebrae, esse tipo de registro tem sido crucial para a emancipação econômica das mulheres na região.
Desafios Enfrentados por Mulheres Empreendedoras
Débora Rodrigues, analista de negócios do Sebrae-SP, destaca que, embora o cenário esteja mudando, as mulheres ainda enfrentam desafios significativos ao tentar conciliar suas vidas profissionais com responsabilidades familiares. Alessandra, por exemplo, revela que a presença feminina é mínima em seu ramo, que é majoritariamente masculino, o que torna seu trabalho ainda mais desafiador. ‘Lidar com o preconceito é uma realidade. Muitas vezes, ao atender o telefone, sou questionada se há um homem supervisionando meu trabalho. Isso é fruto da desconfiança por parte dos clientes’, explica.
Alessandra começou sua trajetória empreendedora ao se separar de seu ex-marido, com quem era sócia em uma empresa do mesmo setor. Desde então, ela tem se esforçado para conquistar um espaço maior no mercado. ‘Minha próxima contratação será de uma mulher, porque acredito que a diversidade é essencial para mudar essa realidade’, complementa.
Empresárias no Setor Agropecuário
Outro exemplo de força feminina é Isabella Gimenes Betin, de 26 anos, que lidera um negócio familiar de produção de derivados de leite ao lado de sua mãe. A jovem assumiu a empresa após uma cirurgia da matriarca e encontrou, nas dificuldades do dia a dia, uma maneira de se aproximar ainda mais de sua mãe. ‘Ela é minha maior referência, uma mulher de força e garra’, afirma Isabella.
Além de administrar o negócio, Isabella é mãe de uma menina de três anos e lida com o desafio diário de equilibrar maternidade e empreendedorismo. Ela também comentou sobre a subestimação que muitas mulheres enfrentam em setores que exigem força física e reconhecimento. ‘O meu maior desafio é encontrar meu espaço e ser ouvida em um ambiente dominado por homens. Muitas vezes, subestimam minha capacidade apenas por eu ser mulher’, diz ela.
Isabella reflete sobre o papel das mulheres no agronegócio, um setor ainda bastante tradicional e masculino. ‘Mulheres têm o poder de transformar ambientes. A tradição muitas vezes impede que novos modelos de gestão sejam adotados, mas estamos aqui para mudar isso’, conclui.
