Inteligência Artificial como Motor da Mudança na Gestão Pública
O II Encontro Nacional de Inteligência Artificial dos Tribunais de Contas, que ocorre entre os dias 30 e 31 de março no BeFly Minascentro, em Belo Horizonte (MG), reúne especialistas e gestores para discutir o impacto da inteligência artificial na governança pública. Com a presença de 2.468 participantes, incluindo membros e servidores dos Tribunais de Contas, a adesão ao evento reflete o crescente interesse por soluções inovadoras no setor público.
Organizado pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), em colaboração com o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e o Instituto Rui Barbosa (IRB), o encontro visa explorar como a inteligência artificial pode não apenas aprimorar o controle externo, mas também modernizar a gestão pública. O tema central, “Inteligência Artificial no Controle e na Governança Pública: entre a Regulação, a Ética e a Inovação”, serve como pano de fundo para uma série de palestras e mesas-redondas com especialistas da área.
A Visão da Ministra sobre a IA na Administração Pública
A abertura do evento contou com uma palestra da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que destacou a importância do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Segundo Dweck, o Estado desempenha um papel crucial na criação de políticas públicas que promovam o uso responsável da tecnologia. “As soluções devem ser construídas com base em princípios éticos e na geração de valor público”, afirmou em seu discurso.
A ministra enfatizou que a inteligência artificial não é apenas uma questão técnica, mas envolve também um debate civilizacional. “Estamos diante de uma tecnologia que pode reconfigurar estruturas sociais e econômicas. Portanto, precisamos de um posicionamento político firme e um compromisso com os valores democráticos”, ressaltou Dweck.
Ela também mencionou os desafios globais e as desigualdades no acesso às tecnologias digitais, defendendo a necessidade de uma governança internacional mais inclusiva. “Não podemos ser meros espectadores dessa transformação. Temos que garantir que os benefícios da inteligência artificial sejam democratizados”, concluiu.
A Capacitação como Chave para o Futuro
Após a mesa de abertura, a ministra reiterou a importância da capacitação dos servidores para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Dweck abordou ainda a urgência de decisões que permitam que a inteligência artificial gere benefícios tangíveis para a sociedade. “O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028, focando em inovação, infraestrutura e melhoria dos serviços públicos”, detalhou.
Nos dias de evento, especialistas discutirão diversos aspectos da inteligência artificial, como sua aplicação prática, a governança de dados e os mecanismos de controle. Entre os debatedores estão renomados profissionais do setor público e privado, como o conselheiro do TCE-MT Alisson Alencar e o ministro do TCU Aroldo Cedraz, que trarão perspectivas valiosas sobre o tema.
Palestras e Experiências Inovadoras
O público também poderá ouvir palestras de especialistas como a professora Dora Kaufman da PUC-SP e Silvio Meira, cientista chefe da TDS Company. As discussões têm como objetivo não só debater as potencialidades da IA, mas também identificar desafios e limites éticos que devem ser considerados ao implementar novas tecnologias na gestão pública.
Com um programa recheado de debates e apresentações práticas, o II Encontro Nacional de Inteligência Artificial promete ser um marco no diálogo sobre como a tecnologia pode revolucionar o setor público, oferecendo soluções que atendam às demandas sociais atuais. A expectativa é que, ao final do evento, sejam traçados caminhos concretos para a integração da inteligência artificial na governança pública brasileira.
