Minas Gerais reafirma seu papel decisivo nas eleições presidenciais
Minas Gerais confirmou novamente uma tradição que atravessa diferentes governos e partidos ao eleger o mesmo candidato vencedor da disputa presidencial nacional pela décima vez consecutiva. Nas eleições de 2026, o estado deu a vitória a Lula (PT), que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e garantiu a reeleição.
Uma sequência iniciada em 1989 e mantida até hoje
Essa trajetória teve início em 1989, quando o Brasil realizou sua primeira eleição direta para presidente após o regime militar. Naquele ano, Fernando Collor de Mello (PRN) superou Lula (PT) em Minas Gerais e também venceu no resultado nacional. Desde então, o estado acompanhou fielmente todos os presidentes eleitos, incluindo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
O histórico é especialmente relevante porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, e possui características econômicas e sociais bastante heterogêneas. Por isso, o comportamento dos eleitores mineiros é frequentemente analisado como um termômetro das eleições nacionais.
De Collor a Lula: a série de dez eleições presidenciais
Em 1989, Fernando Collor venceu Lula no segundo turno em Minas Gerais com 55,52% dos votos válidos, resultado que refletiu o panorama nacional, onde Collor obteve 53,03%. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso conquistou a Presidência já no primeiro turno, alcançando 64,82% dos votos mineiros, desempenho superior aos 54,28% registrados no país.
Reeleito em 1998, FHC manteve a liderança no estado com 55,67% dos votos, contra 53,06% no total do país. Nas eleições seguintes, Lula assumiu a dianteira em 2002 e 2006, obtendo 66,44% e 65,19% dos votos válidos em Minas Gerais, respectivamente, e garantindo a Presidência em ambas as ocasiões.
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Em 2010 e 2014, Dilma Rousseff manteve a coincidência entre o resultado mineiro e o nacional, vencendo José Serra e Aécio Neves — este último ex-governador mineiro — com 58,45% e 52,41% dos votos em Minas Gerais, respectivamente.
A eleição de 2018 marcou uma mudança, quando Jair Bolsonaro quebrou a sequência do PT no estado. O então candidato do PSL recebeu 58,19% dos votos válidos em Minas Gerais e também venceu nacionalmente, derrotando Fernando Haddad.
Em 2022 e 2026, Lula retomou a vitória entre os mineiros e no Brasil. Em 2022, obteve 50,20% dos votos válidos em Minas, contra 49,80% de Bolsonaro. Este ano, ele repetiu o resultado ao superar Flávio Bolsonaro com 50,43% dos votos no estado.
Disputa apertada confirma equilíbrio eleitoral em Minas Gerais em 2026
O resultado da eleição de 2026 mostrou a continuidade da tradição, mas também evidenciou a competitividade da disputa no estado. Lula recebeu 6.351.099 votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 6.241.786, diferença de apenas 109.313 votos, equivalente a 0,86%.
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No cenário nacional, Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. A virada em Minas Gerais foi especialmente significativa, já que Lula havia ficado atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e conseguiu reverter o resultado no segundo, refletindo o desempenho nacional.
Por que Minas Gerais é considerado um termômetro eleitoral?
A coincidência entre o resultado mineiro e o nacional é observada desde 1989 e é atribuída a diversos fatores. Entre eles, a diversidade socioeconômica do estado, que reúne áreas industriais, grandes cidades, regiões rurais e municípios com diferentes características. Essa composição faz com que o eleitorado mineiro reflita distintos perfis e interesses presentes no país.
Além disso, o peso do eleitorado mineiro, o segundo maior do Brasil, contribui para a importância política do estado nas eleições presidenciais. O desempenho dos candidatos em Minas Gerais impacta diretamente a votação nacional, reforçando o papel estratégico do estado.
Embora essa sequência histórica evidencie a influência de Minas Gerais, a definição do presidente depende da soma dos votos válidos em todo o território brasileiro, não apenas no estado.
