Tributo ao rei do soul brasileiro
Em um cenário saturado por ruídos e sons desconexos, o Jota Quest traz uma lufada de ar fresco com “Dance Enquanto é Tempo”. Disponível nas plataformas digitais e previsto para ser lançado em vinil duplo, o álbum grooveia ao ritmo do balanço funk-soul genuinamente brasileiro. Com três décadas de carreira, a banda mineira presta homenagem a Tim Maia, ícone do soul e funk nacional, cuja obra reverbera até hoje nas pistas e nas conversas do público que aprecia o ritmo e a emoção da música feita com alma.
“Trago estas rosas, como me soprou o mestre, para te dar.” A voz rouca e grave, envolvida por um arranjo que mistura instrumentos como baquetas e biritas, canta sobre o céu que anuncia chuva. A melodia suave embala uma confissão romântica: “Pode o outono voltar, eu quero estar junto a ti, porque é primavera.” Essa é a abertura que conduz o ouvinte por uma viagem sentimental e rítmica que conecta gerações.
O soul de Tim Maia ganha nova vida
O álbum começa com a faixa inédita “Seroma”, seguida por trechos da fala de Tim Maia, que revela detalhes de sua vida e pensamentos: “Minha mãe era Maria Imaculada Maia e meu pai, Altivo Maia. Sou o décimo oitavo filho desse casal que se amava.” E mais: “Estou estudando ufologia agora. Tenho consciência de que existem seres extraterrestres.” Sebastião Rodrigues Maia não foi apenas um cantor, mas o inventor do funk e soul brasileiros, um artista que cantava com sinceridade e irreverência, desafiando convenções e conquistando corações.
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Com bom humor e algumas garrafas de uísque, Tim costumava dizer: “Espero um grande amor. Enquanto isso, fico por aí exercitando, senão perco a prática.” Suas letras e melodias são uma combinação única de voz potente e letra envolvente, embaladas por arranjos que privilegiam metais e baixos que acompanham de forma majestosa cada nota.
Jota Quest e a conexão com o legado de Tim Maia
O Jota Quest conhece bem o valor de gravar com qualidade e paixão. Os integrantes da banda mineira sempre tiveram uma profunda admiração por Tim Maia, o que torna “Dance Enquanto é Tempo” uma celebração genuína do artista. O baixista PJ conta que eles estão conectados ao ídolo black-soul desde 1996, quando criaram uma versão marcante para “Dance Enquanto é Tempo” e entraram em contato com Tim. Apesar do nome internacional, Jey Quest, não ter sido bem recebido, o próprio Tim aprovou o som.
Tim Maia faleceu jovem, aos 55 anos, no Rio de Janeiro. O vocalista Rogério Flausino lembra que o artista morreu apenas dois meses após se encontrarem no festival Planeta Atlântida. Desde então, eles pensaram em prestar uma homenagem que desse conta da importância do músico para a cultura brasileira.
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Canções que marcam gerações
O disco reúne dezesseis faixas, incluindo sete singles lançados desde dezembro de 2025. Mistura sucessos e lados B, como “Acenda o Farol”, “I Don’t Know What To Do With Myself (feat. Mãeana)”, “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)” e “Estrela do Meu Show”. O soul-reggae “Imunização Racional (Que Beleza)” ganhou uma nova energia com a percussão de Carlinhos Brown e a participação do grupo Os Garotin, representantes da nova geração musical.
Na faixa “Réu Confesso”, o samba-soul ganhou arranjos modernos com a participação especial do cantor Thiaguinho, amigo da banda. O álbum também traz a presença do lendário Tony Tornado, que participou do primeiro disco do Jota Quest e retorna agora aos 96 anos para celebrar o legado de Sebastião Rodrigues Maia.
Projeto apoiado pela família Maia
Rogério Flausino destaca o apoio do filho de Tim Maia, Carmelo, que gerencia o espólio do pai. Ele contribuiu com histórias, sugestões de faixas e forneceu as vozes originais de Tim para algumas músicas do projeto. A banda, formada por Flausino, PJ, Marco Túlio, Paulinho e Márcio Buzelin, traz uma homenagem que respeita a essência de Tim Maia, longe dos formatos padronizados, com a autenticidade que marcou tanto a carreira do artista quanto a trajetória do Jota Quest.
